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Unoesc promove palestra internacional sobre desafios éticos da inteligência artificial na Medicina 


A Unoesc promoveu, na noite de quarta-feira (10), a palestra “Desafios para uma Medicina de Inteligência Artificial”, ministrada pelo professor Steven Gouveia, da Universidade do Porto, Portugal. A atividade reuniu estudantes e professores de diferentes cursos da área da saúde no Auditório Jurídico, em Joaçaba.

A iniciativa foi resultado de uma parceria entre o setor de Relações Internacionais da Unoesc, o Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD) e o Programa de Pós-graduação em Biociências e Saúde (PPGBS). Durante a palestra, Steven Gouveia apresentou reflexões sobre os impactos da inteligência artificial (IA) na prática médica, destacando os benefícios da tecnologia, mas também os desafios éticos envolvidos em sua utilização.

Segundo o palestrante, os sistemas de IA já demonstram capacidade de processar grandes volumes de dados em velocidade muito superior à humana, contribuindo para diagnósticos mais precisos e para o avanço da Medicina. No entanto, ele alertou para a necessidade de compreender os limites dessas ferramentas.

— O objetivo não é ter um discurso contra a tecnologia, mas refletir sobre os custos éticos que acompanham esses avanços. Quando utilizamos sistemas cujo funcionamento nem sempre é compreendido pelos próprios profissionais, surgem questionamentos importantes sobre autonomia, responsabilidade e tomada de decisão na prática médica — explicou.

Entre os principais pontos abordados esteve a dificuldade de interpretação dos resultados gerados por determinados sistemas de IA. Conforme o professor, quando o médico não consegue compreender plenamente como a tecnologia chegou à determinada conclusão, também encontra dificuldades para explicar o processo ao paciente, o que pode comprometer a autonomia e a capacidade de decisão informada. Steven Gouveia defendeu ainda que a ética deve fazer parte de todas as etapas do desenvolvimento dessas tecnologias.

— A discussão ética não pode acontecer apenas depois que um sistema já está em funcionamento. Ela precisa estar presente desde a concepção da ferramenta, na definição de seus objetivos, dos dados utilizados e dos impactos que poderá gerar. Quando essa reflexão acontece antes, aumentam as chances de resultados positivos para a sociedade — destacou.

A coordenadora geral de Relações Internacionais da Unoesc, professora Fabiana Meneghetti Dallacosta, ressaltou a relevância da atividade para a formação dos estudantes e para o fortalecimento da internacionalização da Instituição.

— Foi uma grande oportunidade receber um pesquisador reconhecido internacionalmente para discutir um tema tão atual e transversal. Tivemos a participação de estudantes de diferentes áreas da saúde, o que enriqueceu ainda mais o debate. A internacionalização permite que nossos estudantes conheçam perspectivas e discussões que acontecem em outros países, ampliando sua visão de mundo e contribuindo para uma formação mais completa — avaliou Fabiana.

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