Pesquisa da Unoesc contribui para criação de lei sobre inclusão em espaços públicos de São Miguel do Oeste
Publicado em 07/07/2026
Por Imprensa São Miguel d'Oeste
Uma pesquisa desenvolvida no curso de Direito da Unoesc serviu de base para a elaboração da Lei nº 8.474, sancionada no dia 10 de junho de 2026, que cria os Espaços Multissensoriais Públicos Inclusivos em São Miguel do Oeste. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), “O direito fundamental ao lazer de crianças e adolescentes com deficiência: uma análise do parque infantil da Praça Walnir Bottaro Daniel de São Miguel do Oeste/SC, da egressa Ana Janes Grubel demonstra como a produção científica pode contribuir para a construção de políticas públicas voltadas à inclusão e à acessibilidade.
Orientado pela professora Alexandra Vanessa Klein Perico, o estudo analisou o direito ao lazer de crianças e adolescentes com deficiência a partir da realidade do parque infantil da Praça Walnir Bottaro Daniel. A pesquisa identificou que o espaço não atendia integralmente às normas de acessibilidade previstas na legislação e apresentou alternativas para tornar os espaços públicos de lazer mais acessíveis e inclusivos.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com o curso de Arquitetura e Urbanismo da Unoesc, que elaborou propostas de brinquedos acessíveis adaptadas à realidade local. Entre as sugestões estão balanços adaptados, gangorras acessíveis, circuitos para cadeirantes e brinquedos com recursos táteis e em braile.
Para a professora Alexandra Vanessa Klein Perico, o trabalho evidencia a integração entre diferentes áreas do conhecimento na construção de soluções aplicadas.
— O grande diferencial desse trabalho foi unir o conhecimento jurídico à elaboração de soluções concretas para um problema identificado na comunidade. A pesquisa deixou de ser apenas um diagnóstico e apresentou alternativas que agora contribuem para o debate sobre políticas públicas voltadas à inclusão — destaca Alexandra.
Alexandra também ressalta a relevância da aplicação prática dos resultados acadêmicos.
— Quando uma pesquisa ultrapassa os limites da sala de aula e passa a subsidiar decisões do poder público, ela cumpre sua função social. Esse é o papel da Universidade Comunitária: produzir conhecimento capaz de melhorar a vida das pessoas — afirma.
A egressa da Unoesc, Ana Janes Grubel, conta que, desde o início, o objetivo era desenvolver uma pesquisa conectada à realidade do município.
— Eu não queria que o TCC fosse apenas um requisito para concluir a graduação. Queria desenvolver uma pesquisa que pudesse gerar impacto na comunidade. Ver esse trabalho chegando ao Poder Público mostra que o conhecimento produzido na Universidade pode gerar mudanças reais na comunidade — celebra Ana.
Segundo a bacharel em Direito, o estudo reforça que acessibilidade vai além da adaptação de equipamentos.
— Não se trata apenas de instalar brinquedos adaptados. Estamos falando de inclusão, convivência, pertencimento e do direito de todas as crianças viverem plenamente os espaços públicos — observa a egressa.
A autora da Lei, vereadora Silvia Teresinha Kuhn, destaca que a pesquisa desenvolvida na Unoesc contribuiu para fundamentar a proposta apresentada ao Legislativo.
— A criação dessa Lei reafirma o compromisso com a inclusão e o respeito às diferenças. A proposta nasceu do diálogo com famílias e da necessidade de ampliar os espaços públicos preparados para acolher pessoas com deficiência, especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também destaco a contribuição do TCC desenvolvido na Unoesc, que forneceu importantes subsídios técnicos para a elaboração da proposta. Essa parceria demonstra como a Universidade e o Poder Público podem construir políticas públicas fundamentadas no conhecimento e voltadas às necessidades da população — destaca Silvia.
A legislação cria os Espaços Multissensoriais Públicos Inclusivos voltados ao lazer, ao desenvolvimento sensorial e motor e à convivência entre crianças com e sem deficiência. Entre seus objetivos estão ampliar a acessibilidade, fortalecer vínculos familiares e promover a inclusão social por meio de espaços planejados segundo os princípios da acessibilidade e do desenho universal.
- Vista panorâmica do parquinho infantil
- Brinquedo exclusivo para cadeirante
- Maquete ilustrativa do balanço adaptado
- Modelo 3D renderizado do balanço adaptado
- Brinquedo acessível para deficientes visuais
- Caixa de areia acessível para criança/adolescente com deficiência interagir com as outras crianças do parque infantil
- Circuito acessível para cadeirante







