Projeto da Unoesc Joaçaba promove mutirões de limpeza nas margens dos Rios do Tigre e do Peixe
Publicado em 10/12/2025
Por Imprensa Unoesc
Três mutirões de limpeza foram realizados na área central de Joaçaba, nos dias 8 de outubro, 27 de novembro e 2 de dezembro, em áreas de mata ciliar às margens do Rio do Tigre e do Rio do Peixe. As atividades reuniram Agentes de Combate às Endemias (ACEs) do município e bolsistas do projeto de pesquisa “Controle e Prevenção da Dengue em Joaçaba (SC): Desenvolvimento e Implementação de Estratégias Tecnológicas, Educativas e de Pesquisa”, desenvolvido por professores da Unoesc Joaçaba e fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
Nos locais que receberam o mutirão, foi encontrada grande quantidade de resíduos descartados irregularmente, incluindo pneus, garrafas de vidro e plástico, baldes, latas, bandejas de isopor e até uma piscina plástica. O descarte inadequado de resíduos sólidos que acumulam água da chuva favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal vetor da dengue, zika e chikungunya.
— O Aedes aegypti possui o hábito de aproveitar pequenos volumes de água parada em ambientes sombreados, característica que aumenta ainda mais o risco de infestação em locais degradados pelo acúmulo de lixo. A grande quantidade de resíduos encontrada é particularmente impactante, pois as áreas onde foram realizados os mutirões são de mata ciliar. As matas ciliares são formações vegetais que acompanham os cursos dos rios e são consideradas Áreas de Proteção Permanente (APP) — destaca a bióloga Monica Piovesan, bolsista do projeto de pesquisa, acrescentando que esses locais são fundamentais para o equilíbrio ecológico, pois servem de abrigo, alimentação e reprodução para inúmeras espécies nativas e exercem funções ecológicas vitais.
De acordo com a bióloga, um exemplo da importância ecológica dessas áreas é o angico (Parapiptadenia rigida), espécie arbórea encontrada nas matas de encosta ao longo dos Rios do Tigre e do Peixe, que desempenha um papel fundamental ao servir de suporte para o desenvolvimento de plantas epífitas, como espécies de bromélias e orquídeas. Essas plantas, por sua vez, enriquecem o ecossistema ao oferecer recursos essenciais, como néctar, pólen, abrigo e locais para reprodução, e atrair uma diversidade de aves, anfíbios, mamíferos e insetos. Além disso, ao florescerem em diferentes épocas do ano, garantem alimento constante para populações de polinizadores, como beija-flores, mariposas, borboletas e abelhas nativas.
— A grande quantidade de resíduos encontrada nas APPs às margens dos Rios do Peixe e do Tigre representa uma ameaça para a saúde pública, ao propiciar criadouros ideais para o mosquito da dengue e colocar em risco a saúde da comunidade. Além disso, o descarte incorreto de resíduos afeta o equilíbrio ecológico ao degradar o habitat de espécies nativas de plantas e animais, comprometendo a manutenção da biodiversidade — ressalta a bióloga, orientando a população sobre a importância da conscientização e do descarte correto do lixo.
Sobre o projeto
O projeto “Controle e Prevenção da Dengue em Joaçaba (SC): Desenvolvimento e Implementação de Estratégias Tecnológicas, Educativas e de Pesquisa” teve início em abril de 2025 e tem duração de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais um. As atividades são divididas em três eixos: ações de educação ambiental; pesquisa; e apoio aos ACEs em atividades rotineiras, como visitas domiciliares, mutirões de limpeza e coleta de resíduos.



