Professora deficiente visual atua no curso de Educação Especial
Além do que se espera tradicionalmente dele, um curso de graduação também deve reunir alguns diferenciais que o destaquem em relação a cursos semelhantes da área. E o curso de Licenciatura em Educação Especial, do Campus de Xanxerê, traz um diferencial inovador: uma professora é deficiente visual. A professora Inês Berlanda Seidler, xanxerense de origem, […]
Publicado em 12/08/2011
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Além do que se espera tradicionalmente dele, um curso de graduação também deve reunir alguns diferenciais que o destaquem em relação a cursos semelhantes da área. E o curso de Licenciatura em Educação Especial, do Campus de Xanxerê, traz um diferencial inovador: uma professora é deficiente visual.
A professora Inês Berlanda Seidler, xanxerense de origem, mas atualmente residindo em Florianópolis, ministrou o componente curricular de Estudos da Deficiência Visual, na 3ª fase do curso. Ela é formada em Pedagogia, com habilitação em Séries Iniciais e Educação Especial, tendo feito uma Especialização em Psicopedagogia.
Com a turma de Educação Especial, ela teve sua primeira experiência com a graduação, apesar de já atuar na educação, mas com crianças de três a seis anos, pois é concursada do Estado, sendo cedida para a Associação Catarinense para Integração do Cego (Acic).
Durante as aulas, a professora trabalhou o conceito de deficiência visual e seu princípio sócio-histórico, além da anatomia e fisiologia do olho humano, patologias, o papel da escola, das instituições especializadas e da família frente à deficiência visual, entre outros aspectos.
A professora avalia que foi muito positivo lecionar para o ensino superior. “Acredito que se torna muito mais rica a aprendizagem quando se educa pelo exemplo. E, neste caso, especificamente, ao ter à frente uma pessoa cega, que fala da potencialidade do cego quando bem trabalhado”, observa.
Ela afirma ainda que teve uma boa acolhida por parte dos acadêmicos. “A turma colaborou bastante com minha adaptação ao espaço físico, que eu não conhecia, e auxiliou nas questões que solicitei”, analisa, acrescentando que a turma demonstrou ser bastante madura e comprometida.
Finalizando, a professora Inês alerta que a inclusão começa na escola, “e é nela que nos embasamos para hoje estarmos incluídos no mercado de trabalho. A escola precisa fazer a inclusão sair do discurso e passar a ser prática“.
Contribuições no processo de construção do conhecimento
Para a acadêmica Inês Lourdes Mossi da Luz, do curso de Educação Especial, as aulas foram muito proveitosas. “Auxiliaram no processo de construção do nosso conhecimento. Eu, particularmente, não sabia nada de como trabalhar com um deficiente visual. Além disso, ela nos deu importantes lições, por ter essa deficiência e realizar tantas coisas em sua vida, demonstrando muita força de vontade para superar os obstáculos”, avalia a acadêmica.
Já a acadêmica Jucilene Cappellaro Tiecher, também do curso de Educação Especial, reforça que as aulas foram muito interessantes e “nos trouxeram experiências riquíssimas. Além de podermos usufruir da companhia de uma pessoa muito especial, com conhecimentos relevantes, aprendemos também que nada é impossível, nenhuma deficiência é capaz de impedir uma pessoa de realizar os seus sonhos, de superar todas as dificuldades e transpor limites jamais sonhados”, salienta.
E a coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Especial, professora Sonia Marta Alberici, ratifica os depoimentos das acadêmicas. Segundo ela, a presença da professora Inês é uma prova real que “como educadora, necessito também desenvolver a amorosidade, o respeito aos educandos nos diferentes níveis e modalidades da educação, como seres que se percebem comprometidos com o próprio processo formador do qual faço parte como educadora e coordenadora do curso”.
“Há pessoas que, com seus saberes e lições de vida tão fortes e tão marcantes, desconhecem a importância de sua presença em nossas vidas, por mais que possamos demonstrar nossa satisfação de aprender e crescer de forma mútua e contínua. Minha convicção é que esse momento foi ímpar para cada acadêmico do curso de Licenciatura de Educação Especial nos seus fazeres educativos presentes e/ou futuros e, por que não dizer fazeres e dizeres da vida cotidiana”, conclui.