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Graduação Joaçaba

Pesquisa deve acelerar o processo de captação de órgãos

Para realizá-la, famílias de pacientes em estado de coma que possa indicar morte encefálica precisam autorizar exame Uma equipe formada por professores da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e profissionais do Hospital Universitário Santa Terezinha (Hust), de Joaçaba, iniciarão uma pesquisa em 2010 que busca validar mais um tipo de exame objetivo para […]


Para realizá-la, famílias de pacientes em estado de coma que possa indicar morte encefálica precisam autorizar exame

Uma equipe formada por professores da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e profissionais do Hospital Universitário Santa Terezinha (Hust), de Joaçaba, iniciarão uma pesquisa em 2010 que busca validar mais um tipo de exame objetivo para diagnosticar a morte encefálica, também chamada de morte cerebral. O estudo pode tornar mais rápido, barato e seguro esse diagnóstico e, como consequência, acelerar os procedimentos necessários ao transplante de órgãos e evitar a perda dos mesmos pela demora na captação.

Quem explica é o coordenador da equipe, Dr.  Jovani Antônio Steffani, audiologista do Hust e professor da Unoesc. Segundo ele, até a década de 60, a morte era definida pela parada dos batimentos cardíacos e dos movimentos respiratórios. Hoje, entretanto, as técnicas de ressuscitação, de circulação extracorpórea e de respiração artificial permitem manter o paciente com seus órgãos e sistemas íntegros por tempo indeterminado mesmo que este apresente perda total das funções encefálicas. É o chamado quadro de morte encefálica, que  é definido a partir da perda de capacidade de recuperação dessas funções.

O padrão ouro, isto é, o método ideal de diagnóstico da morte encefálica seria a Angiografia Cerebral, exame que avalia a condição da circulação sanguínea do cérebro (a perfusão). Esse procedimento, no entanto, além de ser difícil de ser realizado tem um alto custo financeiro, motivo pelo qual o Eletroencefalograma é o exame atualmente mais empregado. Porém, os resultados do Eletroencefalograma podem sofrer alterações em pacientes que estão sob o efeito de drogas depressoras do sistema nervoso, como analgésicos e sedativos (benzodiazepínicos), que são de uso rotineiro nas UTIs. 

Por esse motivo, o diagnóstico da morte cerebral demora várias horas até, alguns dias, para ser confirmado, já que o paciente fica sendo observado por algum tempo mesmo quando o exame subjetivo (avaliação do médico acerca dos sinais vitais do paciente) e o exame objetivo mais empregado nesses casos (o Eletroencefalograma) apontam morte cerebral. 

A pesquisa que iniciará em 2010 visa empregar outro tipo de exame para auxiliar no diagnóstico da morte encefálica, o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (Peate), que é um exame objetivo, rápido, e que não sofre influência de drogas depressoras do sistema nervoso central que o paciente possa estar utilizando. 

Dr. Jovani  explica que a audição é o último sentido a se extinguir diante da morte e o Peate  avalia a atividade elétrica da via auditiva ascendente, que tem como trajeto todo o segmento do Tronco Encefálico, responsável pela maioria das funções vitais do organismo. Caso indique que não há mais atividade elétrica na via auditiva do Tronco Encefálico, o exame associado à avaliação clínica pode determinar se o paciente está com morte cerebral.

Para isso, no entanto, o Peate precisa ser incluído na rotina de avaliação de pacientes com risco para a morte encefálica, o que exige que seja comparado, através de pesquisa científica, com os resultados dos demais exames e da avaliação clínica. “Através dessa comparação será possível estabelecer com total segurança alguns padrões para a interpretação dos seus resultados”, diz o audiologista.

A pesquisa que começará a ser desenvolvida em janeiro estabelecerá esses padrões. Durante dois anos, o exame será realizado em pacientes em grau 3 na escala de coma de Glashow e seus resultados serão comparados aos da avaliação clínica e do Eletroencefalograma, observando-se o desfecho do quadro clínico do paciente – se evolui para o óbito ou se apresentará reversão do quadro apresentando melhoras. 

O que se enfatiza é a importância da colaboração dos familiares dos pacientes que se encontrarem nessa situação, já que estes precisarão concordar com a realização dos exames assinando um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), exigência do Comitê de Ética em Pesquisa da Unoesc. “O exame não trará qualquer risco ao paciente e não determinará qualquer modificação na conduta médica em relação ao tratamento, apenas permitirá que mais um dado clínico possa ser colhido e utilizado para comparações”, explica o pesquisador.

Ao final da pesquisa, quando forem estabelecidos os parâmetros para a utilização do Peate no diagnóstico da morte cerebral, o tempo para o diagnóstico e a captação de órgãos para os transplantes reduzirá drasticamente, o que permitirá um maior número de órgãos captados e em boas condições para o transplante, reduzindo as filas, o custo de manutenção da vida dos doentes, a espera do transplante, e principalmente a dor e o sofrimento dos pacientes e de seus familiares.

A equipe que desenvolverá o estudo conta com o médico intensivista Carlos Alexandre de Souza, a fonoaudióloga Candice Stumpf e a enfermeira Jucimari de Gregori, professores da Unoesc e profissionais do hospital. A pesquisa é financiada por meio de um convênio entre o Governo Federal, através do Sistema Único de Saúde (Sus), e a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc). Assim que concluída, deve servir de base para que em todo o país o exame do Peate passe a fazer parte do protocolo para o diagnóstico da morte encefálica (ME), contribuindo para a resolução de um dos maiores “gargalos” do sistema de transplantes, a demora no diagnóstico da ME.

Ao total serão investidos aproximadamente R$ 260 mil na execução do projeto, sendo que cerca de 50% desses recursos estão sendo investidos na compra de equipamentos de última geração, na sua grande maioria importados da Dinamarca, e que ao término da pesquisa devem ser doados ao Hust para utilização tanto no diagnóstico da morte encefálica como para outros fins diagnósticos, contribuindo para a consolidação tecnológica da instituição e beneficiando a toda a comunidade.

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