Livro que trata de tornado é tema de debate em São Miguel
Para a maioria dos brasileiros, o dia 7 de setembro é lembrado pela conquista da Independência do Brasil. É uma data de comemoração e alegria pela emancipação política do País. Mas, e para os moradores da cidade de Guaraciaba – SC – o que permanecerá registrado em suas mentes? O título do livro, ‘Sete de […]
Publicado em 26/03/2010
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Para a maioria dos brasileiros, o dia 7 de setembro é lembrado pela conquista da Independência do Brasil. É uma data de comemoração e alegria pela emancipação política do País. Mas, e para os moradores da cidade de Guaraciaba – SC – o que permanecerá registrado em suas mentes? O título do livro, ‘Sete de setembro: independência ou tornado?’, foi escrito pelo professor mestre em Educação, Airton Fontana. Em 168 páginas ele consegue documentar a história que antecede e o que acontece após a tragédia que atingiu diretamente 800 famílias de Guaraciaba e Anchieta. A obra foi debatida com acadêmicos e professores da Unoesc – Campus de São Miguel do Oeste – na última segunda-feira, 22.
Inicialmente, o autor pensava em construir um relatório devido à amplitude do fato. “Mas a pesquisa foi ganhando forma, e mais tarde analisei que poderia ser transformado em livro. Entre os objetivos que me levaram a escrever esteve o contato de ‘corpo e alma’ com as pessoas, sentindo o fato em si, a gravidade, mas também valorizando a luta das famílias e da região estarem ajudando”, afirma.
Este é o quarto livro de Fontana, todos lançados pela Editora Unoesc. Conforme o autor, o título foi sugestivo para proporcionar reflexão. “Na vida o que nos marca mais são os momentos tristes e felizes, por isso trouxe duas ocasiões que não serão esquecidas na vida dos moradores de Guaraciaba”, salienta.
Contribuição
O agricultor Danilo Luiz Lazzari, 60 anos, morador da Linha Sede Flores, em Guaraciaba, contribuiu com depoimentos no livro de Airton, mas ainda não encontra palavras que possam explicar o fenômeno natural daquele 7 de setembro. “Só sei que a gente viveu, sofreu, enfrentou, ajudou e sobreviveu aquele momento”, enfatiza.
Ele e um grupo de amigos preparavam a Festa do Padroeiro de Guaraciaba na comunidade vizinha quando percebeu que as árvores estavam sendo arrancadas pelo vento e caindo em cima das casas. “Eu só pensava na minha família. Demorei para chegar até em casa. No caminho, ouvia os gritos das pessoas. Eram galhos, árvores, pedaços de madeira atravessados na estrada. Quando cheguei em casa seis pessoas da minha família já estavam feridas. Depois de algum tempo, encontrei a minha mãe sem vida. O socorro demorou três horas, mas chegou. E isso são coisas da vida”, relata.
Sobre contribuir com a história do livro, Lazzari afirma que sente-se confortável e pronto para dizer alguma coisa. “Apesar de tudo, é bom poder contribuir e contar a nossa história”, finaliza.
O livro, que foi publicado no final do ano passado, já está com os exemplares da segunda edição praticamente esgotados. Projeta-se uma terceira edição.