Êxodo, envelhecimento e redução populacional ameaçam o futuro do oeste
Apesar de todos os esforços governamentais e do setor privado, o êxodo de talentos e capital humano do grande oeste catarinense não foi estancado. Recém-editado estudo de quatro docentes da Unoesc – incluído o reitor Aristides Cimadon – apresenta conclusões preocupantes: a população jovem está reduzindo velozmente e a população de idosos aumentando, a […]
Publicado em 16/11/2012
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Apesar de todos os esforços governamentais e do setor privado, o êxodo de talentos e capital humano do grande oeste catarinense não foi estancado. Recém-editado estudo de quatro docentes da Unoesc – incluído o reitor Aristides Cimadon – apresenta conclusões preocupantes: a população jovem está reduzindo velozmente e a população de idosos aumentando, a economia perde dinamismo e as carências infraestruturais afugentam novos empreendimentos.
De autoria dos professores Augusto Fischer, Alciomar Antonio Marin, Aristides Cimadon e Luiz Carlos Lückmann, o livro “Análise demográfica, educacional e socioeconômica nas Secretarias de Desenvolvimento Regional do Oeste Catarinense: período 2000 a 2010” foi lançado neste mês pela Editora da Universidade do Oeste de Santa Catarina.
A obra focaliza três estudos sobre o Oeste catarinense: a análise socioeconômica, a análise demográfica e a análise do contexto educacional. Tem como objetivo avaliar as potencialidades das regiões de abrangência das Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDRs). O livro analisa, igualmente, os índices FIRJAN de Desenvolvimento Mundial (IFDM), como complemento aos indicadores socioeconômicos, demográficos e educacionais. E nesta entrevista, o reitor Aristídes Cimadon amplia a discussão sobre a obra.
Qual é a situação demográfica do oeste de Santa Catarina?
Aristides Cimadon – No período de 2000 a 2010, a população residente nas SDRs oestinas cresceu abaixo da taxa média de crescimento registrada no estado. No período, o crescimento total nas SDRs foi de 7,5%, contra 16,7% no estado. A SDR de Chapecó foi a única no oeste a registrar crescimento superior ao crescimento demográfico estadual (1,8% a.a), pela condição da cidade de Chapecó ser o polo de atração socioeconômica. A perda de população ocorre na maioria dos municípios com até 10 mil habitantes.
O grande oeste catarinense está em franco processo de envelhecimento?
Aristides Cimadon – De modo geral, a população das SDRs do Oeste está envelhecendo a passos largos. Entre 2000 e 2010, as faixas etárias de 0 a 19 anos e de 30 a 39 anos diminuíram respectivamente, 14,1% e 1,1%, resultando na redução de 4,9% para as faixas etárias de 0 a 39 anos. Por sua vez, as faixas acima de 40 anos cresceram 39,2%. As SDRs analisadas apresentam forte viés para um crescimento vegetativo ou até mesmo para uma queda da população total nos próximos anos, fundamentada na queda das taxas de natalidade, e na emigração para centros maiores da própria região e de outras regiões do estado, principalmente para o Vale do Itajaí e Grande Florianópolis, confirmando-se o fenômeno da litoralização.
Outro indicador preocupante é a redução das matrículas escolares?
Aristides Cimadon – Chama atenção a acentuada redução das matrículas no ensino fundamental na região, que caíram 19,5% entre 2000 e 2011, que é mais acentuada que a taxa de redução de 13,3% ocorrida no estado. Há, portanto, uma nítida trajetória declinante nas matrículas do Ensino Fundamental, sendo esse fenômeno atribuído à redução da população das faixas etárias entre 5 e 14 anos. As matrículas no ensino médio regular mantiveram-se praticamente estabilizadas ao longo de 2000 a 2011, com queda média anual de 0,1%, e tendência de estabilização com viés de redução, cujo comportamento também é observado nas demais regiões do estado.
O empobrecimento regional é um fenômeno comprovado?
Aristides Cimadon – A área socioeconômica das SDRs analisadas apresenta indicadores com avanços abaixo de médias estaduais e nacionais, cujos resultados podem, em grande parte, ser atribuídos à precarização de fatores não discutidos ou não analisados no momento.
Como agir para reverter esse quadro?
Aristides Cimadon – A reversão desse quadro passa pelas conclusões do Seminário sobre o futuro do oeste que a Unoesc recentemente realizou em parceria com a Fiesc, em Chapecó. É necessária a infraestruturação regional para manter as empresas no oeste, especialmente a construção da ferrovia norte-sul para ligar Chapecó ao Mato Grosso e garantir o suprimento de grãos do centro-oeste brasileiro para as agroindústrias catarinenses e a duplicação da rodovia federal BR-282. Além disso, a malha rodoviária regional está deficitária e prejudica o escoamento da produção. É grande o peso dessas deficiências na competitividade das empresas.
A Unoesc comprometeu-se a contribuir na formulação de uma política de desenvolvimento regional?
Aristides Cimadon – Tão importante quanto as obras de infraestrutura reclamadas pela região é a formulação de uma política de apoio ao desenvolvimento do grande oeste catarinense – o que a Unoesc fará com a Fiesc para propor ao governo e a sociedade econômica barriga-verde. Essa política dará rumo às ações publicas e privadas e indicará parcerias e projetos essenciais para a região.
Que reações devem provocar no governo e na comunidade catarinense as constatações desse trabalho, associadas ao quadro de deficiências da região?
Aristides Cimadon – O sinal de alerta soa para toda a sociedade catarinense, pois essas conclusões remetem a um quadro preocupante: estão aliadas a constatação da perda de competitividade das empresas pela falta de infraestrutura e distância dos grandes centros de consumo, êxodo de jovens, saída de capitais, migração das agroindústrias para o centro-oeste brasileiro, estagnação industrial, deficiência no abastecimento de energia elétrica e de água, aumento dos custos de produção e incapacidade de atração de novos empreendimentos.