Discussões sobre a segurança dos alimentos
As grandes empresas convivem diariamente com as pressões do mercado internacional para a produção de alimentos cada vez mais seguros, com redução extrema, principalmente de risco de ocorrência de doenças transmitidas por alimentos. No início deste ano, em Barcelona, o Comité International d’Entreprises à Succursales (CIE) promoveu mais um encontro com representantes de grandes empresas […]
Publicado em 17/08/2009
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As grandes empresas convivem diariamente com as pressões do mercado internacional para a produção de alimentos cada vez mais seguros, com redução extrema, principalmente de risco de ocorrência de doenças transmitidas por alimentos. No início deste ano, em Barcelona, o Comité International d’Entreprises à Succursales (CIE) promoveu mais um encontro com representantes de grandes empresas do setor alimentício, produtores, grandes varejistas, experts em segurança alimentar e entidades internacionais de normalização e certificação. No encontro foram discutidas duas correntes: uma que defende a criação de normas que contemplam visões ou interesses globais e outra que propõe normas internacionais já conhecidas como a ISO 22000 e as normas do Codex Alimentarius[1] de segurança de alimentos.
Amparada pela confederação das Indústrias de Alimentos e Bebidas da União Européia (CIAA) e aprovada em 2000 pela iniciativa do CIE, denominada Global Food Safety Initiative (GFSI), foi lançada a norma Food Safety System Certification Scheme (FSSC) 22000. A FSSC 22000 baseia-se na integração da International Organization for Standardization (ISO) 22000:2005 e o Publicly Available Specificiation (PAS) 220.
A ISO 22000 é uma ferramenta de gestão de negócios para controlar e reduzir riscos relativos à segurança de alimentos. Esta norma pode ser usada por todas as organizações, dá velocidade e simplifica o processo na cadeia produtiva do alimento, sem comprometer outros sistemas de gerenciamento. Já o PAS 220 foi desenvolvido para especificar os requerimentos ao programas de pré-requisitos (PRP), avaliação de riscos em segurança de alimentos dentro do processo produtivo e dar suporte aos sistemas de gerenciamento desenvolvidos e em consonância a ISO 22000. Por outro lado, como uma certificação em ISO 22000 já prevê a adequação dos pré-requisitos à legislação e a demanda dos clientes, alguns dos representantes que participaram das discussões em Barcelona, consideraram não haver sentido na criação de normas setoriais.
A FSSC 22000 destina-se às grandes indústrias de alimentos que fornecem produtos aos principais varejistas do mundo. As que já incorporaram a ISO 22000 fariam apenas uma revisão adicional em relação ao PAS 220 para certificação também em FSSC 22000, adotando assim, um sistema único internacional de segurança de alimentos.
No centro de tudo isso está um consumidor cada vez mais exigente e atento em relação não só a qualidade, mas à segurança de alimentos e bebidas, tendo em vista os constantes surtos de doenças transmitidas por alimentos em todo o mundo.
Discussões à parte é consenso da maioria que deve haver harmonia entre governo e indústria no que concerne à prevenção de contaminações e gerenciamento da segurança alimentar na complexa cadeia produtiva. Todos os esforços e discussões buscam a garantia de um sistema de excelência em segurança de alimentos, visando à redução dos riscos de contaminações, contando principalmente com a utilização de novas tecnologias no processamento térmico de alimentos bem como de embalagens.
Jane Mary Lafayette Neves Gelinski Professsora Unoesc Videira Doutora em Ciência dos Alimentos-USP
[1] Codex Alimentarius (do latim, lei ou código de alimentos). É um conjunto de padrões para alimentos aceitos internacionalmente, cujo objetivo principal é proteger a saúde do consumidor.