Acadêmicos de Educação Especial têm aula com professora cega
O curso de Educação Especial, do Campus de Xanxerê, teve aulas especiais nesta semana. Isso porque uma professora cega ministrou um componente para a turma da 6ª fase. A professora Inês Berlanda Seidler, de Florianópolis e que trabalha na Associação Catarinense para Integração do Cego (Acic), trabalhou com o componente curricular Alternativas Metodológicas para Alunos […]
Publicado em 08/02/2013
Por
O curso de Educação Especial, do Campus de Xanxerê, teve aulas especiais nesta semana. Isso porque uma professora cega ministrou um componente para a turma da 6ª fase.
A professora Inês Berlanda Seidler, de Florianópolis e que trabalha na Associação Catarinense para Integração do Cego (Acic), trabalhou com o componente curricular Alternativas Metodológicas para Alunos com Déficit Visual.
Nas aulas, ela abordou, de forma teórica e prática, aspectos como estratégias de orientação e mobilidade de ensino para o educando com deficiência visual, alternativas metodológicas, uso das tecnologias (Braile e Sorobã) e seleção e adaptação de materiais e ambientes.
A professora, que é pós-graduada em Psicopedagogia, afirma que é gratificante atuar na formação de professores.
– Possibilita uma troca muito grande, pela minha experiência própria. Com isso, os acadêmicos ganham muito, pois aprendem, por exemplo, sobre a orientação e mobilidade de uma pessoa cega. Além disso, o Braile e o Sorobã são fundamentais para o acesso ao conhecimento e desempenho do acadêmico enquanto profissional da área – avalia.
Na análise da professora, o curso de Educação Especial oferecido no Campus de Xanxerê proporciona uma boa formação dos acadêmicos, enfatizando o trabalho prático com as dificuldades das pessoas com deficiências.
– Quando o professor encontra um aluno com deficiência, sente o medo. Portanto, deve estar bem fundamentado teórica e praticamente, o que o curso de Xanxerê possibilita.
Tempo que se perpetua
De acordo com a coordenadora do curso de Educação Especial do Campus de Xanxerê, professora Sonia Marta Alberici, as aulas da professora Inês são marcadas pela aprendizagem que nasce do exemplo.
– Dito de outra maneira, uma aprendizagem em que todos os saberes são construídos por uma educadora cega que venceu barreiras arquitetônicas, curriculares e, principalmente, atitudinais.
Para a coordenadora, a vivência dos acadêmicos com uma professora cega constitui um importante marco na formação profissional.
– Penso que a presença de uma professora cega, ministrando um componente curricular, transforma-se em um tempo que se perpetua muito além da construção de saberes teóricos e práticos: é uma oportunidade constante de desenvolver o espírito de comprometimento e participação ativa, e, acima de tudo, a possibilidade de romper com todas as barreiras, viver momentos de superação constante no ensinar e no aprender.
Vivências positivas
Dirce Pedrozo Lourenço, de São Domingos, é acadêmica da 6ª fase de Educação Especial. Ela atua em um Cemei, em Xanxerê, e avalia que a professora Inês trouxe muitas contribuições ao aprendizado da turma.
– Foi uma experiência muito importante pela oportunidade de conhecimentos que tivemos. Além disso, suas vivências são positivas para o nosso aprendizado. Hoje, há muita demanda por professores habilitados em Educação Especial na escola de educação básica. Eu, por exemplo, não me sentia preparada para atender aos alunos cegos antes de estudar mais sobre essa deficiência – avalia.
Alciberto André de Marchi, de Ponte Serrada e atuando como educador social, corrobora a avaliação da colega, acrescentando que as aulas contribuem na inclusão por já se estar recebendo pessoas com déficit de visão nas escolas e há a preocupação com a adaptação de materiais.