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Unoesc promove palestra com Doutor Miguel Nicolelis

— Cada cérebro representa uma leitura única do universo, ninguém terá a mesma percepção sobre o mundo e é exatamente isso que torna o cérebro o criador de todas as coisas que conhecemos. A condição humana ocorre a partir disso — declarou o médico e cientista Miguel Angelo Laporta Nicolelis durante palestra na 4ª Conferência Regional de Inovação […]


— Cada cérebro representa uma leitura única do universo, ninguém terá a mesma percepção sobre o mundo e é exatamente isso que torna o cérebro o criador de todas as coisas que conhecemos. A condição humana ocorre a partir disso — declarou o médico e cientista Miguel Angelo Laporta Nicolelis durante palestra na 4ª Conferência Regional de Inovação e Empreendedorismo. O evento, promovido pela Unoesc Chapecó na última semana, reuniu cerca de 750 pessoas no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes.

Nicolelis é um dos neurocientistas mais influentes do mundo e trouxe ao público demonstrações do poder da mente. O cientista criou a primeira interface cérebro-máquina sem fio (wireless) que permite a pessoa com lesão na medula controlar membros robóticos (pernas/braços) apenas imaginando os comandos. O trabalho está na lista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) sobre as tecnologias que vão mudar o mundo. O experimento iniciou com ratos instruindo o animal a caminhar por meio de sinais luminosos e depois com macacos que desenvolviam o controle de uma cadeira de rodas eletrônicas através dos comandos do cérebro.

— Com esse estudo chegamos à conclusão, 10 anos atrás, de que era possível usar as interfaces para ler os sinais do cérebro das pessoas, criar um desvio computacional, um novo corpo robótico que essa pessoa vestiria e fazer com que elas imaginassem os movimentos de tal forma que essa interface pudesse ser usada para controlar a veste robótica e fazer os pacientes voltarem a caminhar. Além disso, através de sensores, mandar esses sinais de volta para o cérebro e fazê-lo sentir o toque no chão, o caminhar e o fluxo de sensações táteis, recriando todo esse circuito fora do corpo para conseguir restaurar a mobilidade e a sensação de um corpo que não tem mais essa possibilidade por si só — disse Nicolelis.

Em 2014 os estudos de Nicolelis deram, literalmente, um novo passo. Nicolelis e uma equipe de aproximadamente 160 cientistas do mundo inteiro trabalharam durante dois anos para oportunizar a um paraplégico que desse o primeiro chute na bola durante a abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O chute simbólico foi possível utilizando um exoesqueleto, equipamento desenvolvido pela equipe de pesquisadores e utilizado pelo voluntário Juliano Pinto, de 29 anos, que tem paraplegia completa do tronco e membros inferiores.

No caso do exoesqueleto uma touca especial captou as atividades elétricas do cérebro por eletroencefalografia. Quando o voluntário se imaginou caminhando por conta própria, os sinais produzidos por seu cérebro foram coletados pela touca e enviados a um computador que ficava nas costas da veste robótica.

O computador decodificou essa mensagem e enviou a ordem aos membros artificiais, que passaram a executar os movimentos imaginados. Ao mesmo tempo, sensores dispostos nos pés enviaram sinais para a roupa especial e Juliano sentiu novamente a sensação de tocar o chão por meio do que Nicolelis chama de “pele artificial”.

Desde que iniciou as pesquisas, Nicolelis e os demais cientistas já oportunizaram para muitos voluntários a sensação de andar e sentir o toque no chão para muitos pacientes sem mobilidade. De acordo com Nicolelis, as pesquisas acerca do tema não param e a intenção é de que o exoesqueleto se torne uma alternativa viável de mobilidade para pessoas paralisadas.

— Existem 25 milhões de pessoas mundo com algum tipo de lesão medular e é preciso que as pessoas compreendam o poder da ciência em transformar o mundo. A qual se devidamente financiada e apoiada, pode fazer grandes coisas — destacou.

O vice-reitor do Campus Chapecó da Unoesc Ricardo de Marco salientou a importância das pesquisas e da contribuição de Nicolelis para o desenvolvimento de iniciativas que podem mudar a vida de milhões de pessoas.

— É incrível acompanhar trabalhos dessa magnitude realizados por cientistas brasileiros. Isso demonstra que somos capazes de chegar onde quisermos através da pesquisa e inovação — finalizou.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL

Nicolelis lidera um grupo de pesquisadores da área de Neurociência da Universidade Duke (Durham, Estados Unidos), no campo de fisiologia de órgãos e sistemas, na tentativa de integrar o cérebro humano com máquinas por meio de neuropróteses ou interfaces cérebro-máquina. Recebeu 50 prêmios internacionais, escreveu doze livros e publicou mais de 200 artigos, dos quais vinte na Science e na Nature, as revistas científicas mais importantes do mundo.

O neurocientista também lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, na capital do Rio Grande do Norte. Em Natal, uma das linhas de pesquisa de Nicolelis visa caracterizar a resposta tecidual ao implante dos mesmos eletrodos utilizados nas pesquisas que são desenvolvidas em seu laboratório na Universidade Duke. Os primeiros resultados desta linha de pesquisa receberam destaque internacional ao serem divulgados na prestigiosa revista PLoS ONE, trabalho este totalmente desenvolvido no Brasil.

* Texto MB Comunicação

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