Unoesc apresenta estudos sobre qualidade da água e riscos de contaminação durante evento em São Miguel do Oeste
Publicado em 25/03/2026
Por Imprensa São Miguel d'Oeste
A Unoesc realizou, nesta terça-feira (24), em São Miguel do Oeste, um evento alusivo ao Dia da Água, celebrado em 22 de março, reunindo mais de 600 estudantes dos anos finais do ensino fundamental de oito escolas. A programação incluiu apresentação de estudos sobre qualidade da água, desenvolvidos pela Universidade, com destaque para pesquisas que apontam altos índices de contaminação em amostras sem monitoramento e em águas de enchentes.
Durante o evento, os participantes acompanharam um bate-papo com os professores doutores Jackson Fabio Preuss e Eliandra Mirlei Rossi, além de atividades práticas com microscópios e ações interativas, desenvolvidas em parceria com a empresa Vignatti Formaturas.
Os dados apresentados integram pesquisas realizadas pela Unoesc ao longo de 22 anos. Entre usuários que monitoram regularmente a água — como instituições que atendem exigências sanitárias — os resultados indicam maior controle. Em 2025, 16% das amostras analisadas foram consideradas impróprias para consumo. A maior parte desses casos (58,95%) está relacionada à água de poços sem tratamento. Já entre as águas tratadas, apenas 3,6% apresentaram contaminação, geralmente associada a falhas na higienização de reservatórios ou na dosagem de cloro.
Em contraste, estudos realizados com a população que não realiza análises periódicas apontam percentuais mais elevados de contaminação. Nesses casos, entre 60% e 90% das amostras são consideradas impróprias. Em um levantamento recente, 87,13% das amostras estavam inadequadas para consumo, principalmente por contaminação microbiológica. Poços superficiais registraram 95,76% de contaminação, enquanto poços profundos apresentaram 56,67%.
Outro estudo conduzido pelos professores Jackson Fabio Preuss e Eliandra Mirlei Rossi avaliou 54 amostras de água provenientes de inundações em São Miguel do Oeste. As coletas foram realizadas em três pontos urbanos com histórico de alagamentos e analisaram a água que escoa, nas ruas, durante enchentes, frequentemente em contato com a população.
Os resultados indicaram que cerca de dois terços das amostras estavam contaminadas, com maior incidência no inverno, período de maior volume de chuvas. Também foram identificadas bactérias resistentes a antibióticos, ampliando os riscos à saúde.
— Os dados mostram que o principal problema não é apenas a qualidade da água, mas a falta de monitoramento e cuidados regulares — afirma a professora Eliandra Mirlei Rossi.
— Muitas pessoas não percebem que a água das enchentes, mesmo não sendo para consumo, pode representar um risco importante ao entrar em contato com a pele ou com objetos do dia a dia — explica o professor Jackson Fabio Preuss.
Além da divulgação dos resultados, o evento teve como objetivo aproximar estudantes da temática e estimular a adoção de práticas preventivas. As pesquisas reforçam a necessidade de ampliar o acesso à análise da água, investir em saneamento e promover ações educativas para reduzir riscos à saúde.
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