Triatleta bi-amputado reúne 580 pessoas em palestra
“A pedra no caminho até pode ser um diamante, pode ser que ela me atrase como pode ser que ela me adiante”, cita Pauê, em frase do prefácio do seu livro, ‘Caminhando com as próprias pernas’, parte escrita pelo amigo, o músico Gabriel Pensador, ao retratar que mudanças na vida podem ser para melhor. Paulo […]
Publicado em 12/08/2010
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“A pedra no caminho até pode ser um diamante, pode ser que ela me atrase como pode ser que ela me adiante”, cita Pauê, em frase do prefácio do seu livro, ‘Caminhando com as próprias pernas’, parte escrita pelo amigo, o músico Gabriel Pensador, ao retratar que mudanças na vida podem ser para melhor. Paulo Eduardo Chieffi (Pauê) é o único triatleta bi-amputado do Brasil e palestrou na noite de terça-feira, 10, no auditório do Colégio La Salle Peperi, em São Miguel do Oeste. A iniciativa foi da Aurora Alimentos e da Fundação Aury Luiz Bodanese, que buscaram parceria com o Curso de Educação Física da Unoesc – Campus de São Miguel do Oeste.
A palestra levou o nome de ‘A força contagiante da superação’, reunindo 580 pessoas, entre elas turmas de Educação Física, Serviço Social, Administração, demais estudantes, empresários, funcionários da Aurora e comunidade. O objetivo foi o de propagar mensagens positivas para encorajar os participantes nas dificuldades da vida. “Eu não vim ensinar, eu vim aprender com as pessoas. O que eu trago hoje é o impacto que a mudança pode surtir nas nossas vidas quando a interpretação de mundo é colocada à frente, como algo positivo e, aí sim, conseguimos superar qualquer circunstância”, diz.
A professora de Educação Física, Sandra Fachineto, uma das organizadoras da palestra, ressalta que isso poderá refletir também na vida profissional dos acadêmicos que acompanharam a palestra. “Os acadêmicos de Educação Física e de outros cursos perceberão que dentro de cada formação há limitações, dificuldades, mas que com garra e persistência há como superar”, enfatiza.
Pauê credita sua superação ao tempo, ao esporte, à família e a fé. “Passei a olhar não só para o meu caminho, mas também para o caminho dos outros. Temos que aprender a identificar as oportunidades, saber ouvir as pessoas, em cada estágio de superação”, diz. Segundo ele, o envolvimento com o meio social proporcionou a ampliação da preocupação com os outros e com o mundo. “Quero plantar as sementes do bem. Plantar no coração de cada um. Essa é minha missão”, declara.
Inclusão
Conforme a assistente social da Aurora Alimentos, Claire Inêz Stratmann, a palestra casa com o programa da empresa, ‘Atitude Agora’, que é uma forma de inclusão dos funcionários com deficiências físicas e da comunidade como um todo. Por isso, a palestra contou com intérpretes de libras e acesso para cadeirantes.
O empresário migueloestino Juliano Romancini sofreu um acidente grave há seis meses enquanto praticava Rapel no Rio Grande do Sul, e atualmente, quase totalmente recuperado, foi assistir à palestra. “Eu vim para ouvir o depoimento dele, que também passou por um acidente traumático. Sem dúvida você sempre deve ver o lado positivo do que aconteceu. E eu estou tirando muitas lições”, afirma. Juliano, assim como Pauê, também encontrou força na família e nos amigos, passou a valorizar ainda mais a saúde e aprendeu a ser um pouco mais paciente.
A acadêmica do 2° período de Educação Física, Patrícia Alessi, que há apenas três meses fraturou a clavícula enquanto fazia Carteira de Habilitação para moto, usa uma frase dita por Pauê para a própria motivação. “Nem tão triste e nem sempre brava, seja sempre você mesma, com um passo de cada vez”. A frase gera reflexão sobre a postura que adotamos frente aos problemas.