Química forense é tema do Café com Engenharia na Unoesc Videira
Com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre a química forense, o curso de Engenharia Química da Unoesc Videira, trouxe para uma ampla discussão, no dia 24 de agosto, o perito Márcio Bolzan, do Instituo Geral de Perícias (IGP) de Caçador. Foi durante o III Café com Engenharia, que reuniu professores da área. O perito […]
Publicado em 30/08/2017
Por Unoesc
Com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre a química forense, o curso de Engenharia Química da Unoesc Videira, trouxe para uma ampla discussão, no dia 24 de agosto, o perito Márcio Bolzan, do Instituo Geral de Perícias (IGP) de Caçador. Foi durante o III Café com Engenharia, que reuniu professores da área.
O perito iniciou fazendo breve explanação sobre o trabalho do Instituto Geral de Perícias e suas atribuições,discorreu sobre as drogas mais comuns, seus efeitos sobre o corpo humano e suas consequências. Também destacou como o IGP utiliza a química para a identificação destas drogas.
— O momento foi muito enriquecedor, pois permitiu maior aprofundamento do conteúdo — reiterou Carla Suntti, coordenadora do curso.
PARCERIA COM A ADR
Após, num momento destinado somente aos docentes, foram apresentadas as metodologias ativas com a participação de professores do ensino médio dos sete municípios da 9ª Agência de Desenvolvimento Regional de Videira.
— Essa é uma demanda apresentada pela Gerência e pelos professores pedindo para que trabalhássemos além de assuntos práticos voltados para a química, e que discutíssemos sobre a nova forma de se trabalhar em sala de aula, por meio das Metodologias Ativas — explicou a coordenadora.
Ela explica que, desde 2015, o curso de Engenharia Química vem trabalhando junto com a ADR, para aproximar a educação superior da educação de ensino médio e fundamental. Neste ano, a proposta avançou e foi oportunizado um dia inteiro de atividade com os professores de química do ensino médio, quando foram apresentadas algumas ferramentas da internet que pudessem auxiliar na compreensão ou fixação do assunto trabalhado de forma mais dinâmica e divertida.
De acordo com a professora Rita de Cássia Soares, este evento possibilitou que os professores voltassem aos bancos da universidade para um momento diferenciado, permitindo a construção de novos conhecimentos a respeito das temáticas trabalhadas que pudessem ser replicados nas escolas.
AULAS PRÁTICAS NO LABORATÓRIO
No período da tarde, os professores discutiram sobre a Química Orgânica para o ensino médio, por meio de uma Aula Experimental ministrada pelo professor José Manoel Couto da Feira.
Na Aula Experimental, trabalhou-se com a Síntese de Poliuretanos (PU) e suas aplicações no cotidiano. Com os PU é possível a obtenção de um material flexível (colchões, estofamentos, assentos automotivos e esponjas para lavar louça) ou a espuma leve e rígida (usada no isolamento térmico de geladeiras, caminhões frigoríficos, painéis divisórios, solados).
O estudo do material PU é uma oportunidade de combinar vários assuntos e várias matérias, já que trata de assuntos como o uso dos plásticos na sociedade moderna, meio ambiente, custos de produção, saúde dos trabalhadores na indústria e novidades na área médica com os biomateriais.
— Trazer esse tema para a sala de aula permite estabelecer uma conexão, tanto do professor, como dos alunos ao mundo em que vivem, tornando a aprendizagem significativa — destaca o professor José Manoel.
Ele explica que, por meio do tema poliuretano, foi oportunizada uma contribuição maior para a formação de professores e estudantes do ponto de vista de conceitos químicos e de posicionamento do cidadão, já que o importante não é só informar e divulgar, mas também problematizar assuntos técnicos.
— A abordagem desses diversos aspectos gera debates e reflexões, contribuindo, ainda que de forma lenta, para a sensibilização dos alunos sobre as questões socioambientais e também proporcionando uma formação intelectual mais crítica — finaliza José Manoel.
III CAFÉ COMENGENHARIA: QUÍMICA FORENSE
De acordo com o Conselho Regional de Química (CRQ), a química forense tem como foco análises de substâncias orgânicas e inorgânicas, toxicologia, além de investigações sobre incêndios criminosos, e suas conclusões servem para embasar decisões judiciais. Para tal, utilizam-se técnicas sofisticadas como cromatografia, espectroscopia, espectrometria de massa, calorimetria, papiloscopia e termogravimetria, as quais permitem identificar a substância utilizada em um envenenamento, as impressões digitais de envolvidos em crimes, manchas orgânicas, como sangue, vômito, manchas inorgânicas, como tinta e pólvora, além de analisar evidências como fios de cabelo, peças de vestuário, poeiras e cinzas em locais de crime.
Apesar de as investigações criminais serem o aspecto mais conhecido da química forense, ela não se limita a ocorrências policiais. O químico forense também pode dar seu parecer em decisões de natureza judicial, atuar em questões trabalhistas, como determinar se uma atividade é perigosa ou insalubre, detectar adulterações em combustíveis e bebidas, uso de drogas ilícitas, fazer perícias em alimentos e medicamentos e investigar o doping esportivo.