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Professores da Unoesc relatam a paixão e os desafios de estar em sala de aula

Para o cientista Albert Einstein, a suprema arte do professor é despertar a alegria na expressão criativa do conhecimento e dar liberdade para que cada estudante desenvolva sua forma de pensar e entender o mundo. A tarefa não é fácil, mas existem aqueles dispostos a ressignificar a arte de ensinar a cada nova aula. Com […]


Para o cientista Albert Einstein, a suprema arte do professor é despertar a alegria na expressão criativa do conhecimento e dar liberdade para que cada estudante desenvolva sua forma de pensar e entender o mundo. A tarefa não é fácil, mas existem aqueles dispostos a ressignificar a arte de ensinar a cada nova aula. Com tanta responsabilidade, cada professor, certamente, tem uma história para rir, para se emocionar e para compartilhar. Algumas delas estão nessa homenagem de 15 de outubro aos 965 professores da Unoesc.

Professor Abílio Auri SimonAs expectativas do início da carreira e as lembranças alegres que refletem os anos de experiência marcam a trajetória de mais de quatro décadas do professor Abílio Auri Simon, dos cursos de Administração e de Ciências Contábeis da Unoesc São Miguel do Oeste.

— Eu era um jovem de 20 anos de idade que ministrava aula para alunos que tinham a idade dos meus pais — lembra Abílio ao falar sobre o primeiro dia como professor, em março de 1970, na Escola Técnica de Comércio Peperi.

Na Unoesc desde 1991, ele diz que a atuação docente requer flexibilidade para se adaptar às mudanças.  Segundo Abílio, atualmente, o maior desafio é buscar novas formas de atuação em sala de aula, compatibilizando a transmissão de conhecimento com o uso da tecnologia. Ele salienta que é preciso falar para uma juventude que conhece a internet desde a infância.

— Eu ensino e ao mesmo tempo aprendo. Entretanto, o que mais me motiva estar em sala de aula, é poder contribuir na formação de cidadãos que vão gerir as organizações — ressalta.

Ultrapassando o senso comum

Professora Elizandra IopFazer os acadêmicos compreenderem criticamente a sociedade e a educação é um dos desafios que se coloca a professora Elizandra Iop, natural de Xanxerê e docente do campus há 16 anos. A professora Elizandra começou sua trajetória profissional na própria Unoesc Xanxerê, onde cursou Pedagogia, entre 1992 a 1995.

Mestra em Educação, hoje ela divide seu trabalho em sala de aula, com as funções de relatora de projetos de pesquisa e coordenadora local do Programa de Educação Superior para o Desenvolvimento Regional (Proesde).

Para a professora Elizandra, o principal desafio profissional que enfrenta hoje envolve fazer os estudantes ultrapassarem o chamado senso comum.

— Os alunos são “metralhados” por informações fornecidas pelos meios de comunicação, o que os impede de sentirem dúvidas e procurarem analisar os fenômenos sociais com mais cientificidade — justifica.

Pensando na possibilidade de “voltar no tempo e ser de novo estudante de graduação”, ela afirma que agiria com mais maturidade em relação às questões que envolvem a formação profissional.

— Ser professor deve ser considerado tão sério e preocupante quanto ser um médico. Não se pode achar que formar é um processo simples: ele deve ser tratado como um processo complexo, raiz de sua existência — analisa a pedagoga.

Valorização profissional

Professor Geraldo Vieceli A paixão pela Pedagogia e a certeza de que seria professor desde a época do ensino médio também fazem do professor Geraldo Vieceli um entusiasta pela valorização do profissional docente. Mestre em Educação e coordenador dos cursos de Pedagogia e Artes Visuais, da Unoesc Videira, ele acredita que a mudança irá ocorrer quando a sociedade enfim entender o papel do professor.

— Não falo só da valorização salarial que precisa ser revista urgentemente, falo também do reconhecimento que essa profissão deveria ter perante a sociedade, pois são esses profissionais que formam a base de todos os cidadãos. Quanto melhor for a formação inicial dos alunos, melhor será a sociedade — argumenta.

Outro grande desafio, segundo Vieceli, é a fragilidade da formação dos novos professores. Segundo ele, é preciso ter compromisso com o conhecimento da docência e dos processos que levam à criança aprender, com sustentação teórica e prática capaz de fazer a diferença na sala de aula.

 — É por isso que defendo que formar professores é papel da Universidade, onde se pratica, além do ensino, a pesquisa e a extensão. E também é por isso que na Unoesc, o grupo de professores do curso de Pedagogia assumiu o compromisso de trabalhar por uma formação de qualidade.

Nova geração de professores

Professora Aurea Brustolin MolinetAssim como os colegas experientes, a nova geração de professores busca motivação na união da classe e no desejo mútuo de mudar a educação, percebendo a evolução dos seus alunos. É assim com a professora Aurea Brustolin Molinet, que ministra aulas na Unoesc São Miguel do Oeste há cinco anos e já participou da formação de cerca de 500 alunos dos cursos de Ciências Contábeis e de Administração. Mas a escolha pela docência seguiu o exemplo de casa.

— Minha avó e minha mãe também foram professoras. Contudo, meu interesse pela docência iniciou quando estava na graduação. Eu e meus colegas formávamos grupos de estudo e eles diziam que com minha explicação tudo parecia mais fácil — conta Aurea, que é egressa da Unoesc. Formou-se contabilista em 2003.

Segundo a professora, poder contribuir com o crescimento dos estudantes e fazer parte da história de superação deles é gratificante.

— O momento mais marcante de minha carreira foi quando um aluno, durante a formatura, dedicou a mim a sua aprovação em um concurso público e agradeceu pelos ensinamentos — recorda.

Aurea destaca que o grande desafio, nos tempos de hoje, é despertar o interesse da nova geração a pensar e pesquisar. Ela ressalta que, em um mundo que muda cada vez mais rápido, não há nada mais pertinente do que saber pensar.

A opinião é compartilhada pelo colega Leonardo Sanguanini, que ministra aulas nos cursos de Direito, Administração e Ciências Contábeis da Unoesc Joaçaba. Leonardo está entre os jovens professores da Unoesc. A carreira dentro da sala de aula começou logo após ter recebido o diploma de bacharel em Direito, em 2006.  Aos 24 anos, já ministrava disciplinas ligadas a sua área de atuação profissional em curso técnico do Senac. Foi assim até 2012, quando retornou à Unoesc para ser professor no curso do qual é egresso.

Professor Leonardo SanguaniniNo paradigma da sala de aula, ele leva ao pé da letra o conceito de que ensinar é arte. Para Leonardo, além de se comunicar, o professor deve também entreter e cativar. A estratégia para despertar o interesse dos alunos universitários é simples: interatividade.

 — Às vezes eu reconheço no semblante do aluno a minha face — confessa Leonardo para depois afirmar que o sentimento de empatia o faz falar a linguagem do aluno, buscando ser o professor que ele, quando aluno, gostava de ouvir e dialogar.

— Desde o primeiro dia de aula eu falo e vou falar enquanto eu for professor: não quero criar barreiras entre professor e aluno, aquele monólogo, no qual o professor fala, o aluno escuta, anota e a aula está encerrada. Eu quero que eles também façam a aula — incentiva o professor, querendo na verdade dizer que ensinar é também um exercício de aprendizagem.

 

* Colaboraram Karine Bender, João Luiz Bariviera e Ulisses Junior Longhi

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