Professora apresenta resultados de pesquisa sobre dependência tecnológica
A professora do curso de Psicologia da Unoesc, doutora Aline Bogoni Costa, e as acadêmicas Estephany Zanonato e Karolina Martins Neu apresentaram, neste mês, os resultados da pesquisa sobre dependência tecnológica e da internet para alunos da Escola de Educação Básica Vendelino Junges e da Escola José Marcolino Eckert de Pinhalzinho. Durante a palestra, também […]
Publicado em 24/09/2018
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A professora do curso de Psicologia da Unoesc, doutora Aline Bogoni Costa, e as acadêmicas Estephany Zanonato e Karolina Martins Neu apresentaram, neste mês, os resultados da pesquisa sobre dependência tecnológica e da internet para alunos da Escola de Educação Básica Vendelino Junges e da Escola José Marcolino Eckert de Pinhalzinho. Durante a palestra, também foi abordado sobre o Programa ReStart.
Aline explica que a pesquisa foi dividida em duas fases. A primeira fase do estudo foi desenvolvida entre 2016 e 2017 e procurou mapear a dependência da internet de jovens do ensino médio de escolas dos municípios de São Miguel do Oeste, Pinhalzinho e Maravilha. A pesquisa contou com a participação dos acadêmicos de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho, Lucas Tumeleiro, Geovana Halmenschlage e Márcia Garlet.
Participaram do estudo 504 jovens do ensino médio que responderam a um questionário contendo o Internet Addiction Test (IAT), um instrumento para mensuração da dependência. Aline detalha que, nessa primeira fase do estudo, cerca de 9% dos participantes apresentaram dependência moderada e severa, com tempo de navegação diário elevado, principalmente nas redes sociais.
Durante a pesquisa, verificou-se que a dependência da internet tende a não ser percebida; pode ser negada ou compreendida como normal por um percentual significativo dos jovens pesquisados, embora apresentem características psicopatológicas importantes.
— Concluímos, com base no primeiro estudo, que a dependência de internet requer atenção científica por se constituir em um adoecimento que interfere na constituição da subjetividade e na dinâmica social contemporânea — ressalta a professora.
Segunda fase do estudo
A segunda fase da pesquisa foi desenvolvida, entre 2017 e 2018, somente nas escolas públicas do município de Pinhalzinho, e contou com a participação da acadêmica Estéphany Zanonato. Segundo a professora Aline, a segunda etapa do estudo teve o objetivo de identificar os fatores psicossociais relacionados à dependência de internet de estudantes do terceiro ano do ensino médio com idade entre 15 a 19 anos.
Esse estudo apontou que 9,4% dos estudantes possuem grau de dependência com comprometimentos, podendo enfrentar interferências no cotidiano devido ao uso da internet. A pesquisa também mostrou que 19,9% permanecem conectados à internet por mais de 8 horas diárias e aproveitam a multiplicidade de plataformas para aumentar o tempo de permanência. Os estudantes citaram que os principais motivos de utilização foram a navegação em redes sociais e acesso a materiais de estudo.
Na parte qualitativa, verificou-se, por meio da realização de grupos, que os fatores psicossociais relacionados ao uso excessivo da internet são: sentimento de inibição social, sentimento de curiosidade, necessidade de fuga dos conflitos familiares e sociais, necessidade de aprovação social, de vivências prazerosas e necessidade de construir a sociabilidade.
Comportamentos
Os pais devem ficar atentos a alguns comportamentos dos filhos, que podem apontar para uma possível dependência tecnológica. Segundo a professora Aline Bogoni, são comuns comportamentos como: isolamento social, preocupação excessiva com a internet, necessidade de aumentar o tempo conectado, perda de sono para ficar até muito tarde conectado, diminuição do desempenho na escola ou no trabalho. Além disso, o jovem pode se sentir deprimido, instável ou nervoso quando não está na internet e isso desaparece quando volta a se conectar.
— Quando o indivíduo apresenta dificuldade de controle do uso da tecnologia e os sintomas citados, que podem ocasionar prejuízos em sua vida cotidiana e das pessoas que o rodeiam, é preciso procurar ajuda de um psicólogo — alerta a professora.
Programa ReStart
A professora Aline Bogoni e a acadêmica bolsista, Karolina Neu, estão desenvolvendo atividades de extensão por meio do Programa ReStart: educação e tratamento da dependência tecnológica. Estão sendo desenvolvidas palestras informativas na comunidade escolar para pais, professores e jovens, implantado ambulatório na Clínica de Psicologia da Unoesc Pinhalzinho para atendimento psicoterapêutico, entre outros. Quem quiser buscar mais informações sobre o assunto poderá acessar a página do ReStart no Facebook.