Professor cria personagem para contar história da colonização
A partir da admiração pelos livros: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Verde Vale e Emílio foi escrita a história de Alfredo. Ele é o personagem fictício do livro ‘Os sinos dobram por Alfredo’, de autoria do professor doutor em Ciências Socias: Antropologia, Paulino Eidt, que foi lançado sexta-feira, 18, na Unoesc – Campus de São […]
Publicado em 23/03/2010
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A partir da admiração pelos livros: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Verde Vale e Emílio foi escrita a história de Alfredo. Ele é o personagem fictício do livro ‘Os sinos dobram por Alfredo’, de autoria do professor doutor em Ciências Socias: Antropologia, Paulino Eidt, que foi lançado sexta-feira, 18, na Unoesc – Campus de São Miguel do Oeste, num debate com alunos e professores. A obra é baseada na tese de doutorado do professor e trata da colonização alemã em Itapiranga.
A idéia do autor era relacionar o crescimento do personagem Alfredo a tudo o que aconteceu na época da colonização e o passar dos anos. Portanto, Alfredo nasceu, cresceu, viveu e envelheceu no Extremo Oeste catarinense e seguia a doutrina alemã. Ao todo, foram retratados os 79 anos de Alfredo, de 1927 a 2006. Conforme o autor, o livro retrata parte da história da cultura extremoestina. “A obra foi escrita em primeira pessoa. É uma escrita subjetiva que a deixa mais prazerosa. Aborda fatos da nossa história, cultura e identidade”, comenta Eidt.
Além de o livro documentar a história de um período da região, mais precisamente da colônia de Porto Novo (atual município de Itapiranga) onde as pessoas se guiavam tendo como base a religiosidade, a obra fez parte da tese de doutorado do professor, realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que foi transformada em narrativa, com ilustrações de fotos, para se tornar popular.
Segundo o pró-reitor acadêmico, professor Nelson Santos Machado, o livro traça um panorama histórico específico de uma região, mas que são universais. “E tudo isso assume um sabor especial, porque a história é contada a partir da vida de um personagem, Alfredo, e tudo que o envolve. Os problemas, os amores, os dissabores, as conquistas, a religiosidade”, afirma o pró-reitor acadêmico.
O lançamento
O lançamento da obra contou com a presença da direção da Unoesc, autoridades locais, professores e acadêmicos dos Cursos de História, Jornalismo, Letras e Pedagogia. “Fiz questão de lançar o livro na Unoesc, porque aposto na vida acadêmica”, ressalta Eidt.
Para o professor doutor Roque Strieder, que mediou o debate, a leitura aborda uma época em que as pessoas, geralmente, estavam alienadas, tendo como referências poderes divinos e transcendentes. “Uma cultura, principalmente alemã, que ficou submetida a um tipo de religião”, destaca.
Strieder diz que esse período histórico deixa saudade devido à forma solidária e compartilhada com que se vivia. “Se olhava para as pessoas de uma forma saudável e altruísta. Isso é um pouco a minha história, eu me encontro nas páginas desse livro, assim como todas as pessoas da região, de certa forma, podem se encontrar”, finaliza Roque.