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Graduação São Miguel do Oeste

Pesquisa alerta que desnutrição e obesidade podem começar na infância

Erik Luiz Busnello Berti diz que tem uma alimentação saudável. “Não como nada fora de hora. Só tomo café, almoço e janto”. Nem passa pela cabeça do garoto que esse intervalo extenso entre uma refeição e outra, agregada à falta de exercício físico, pode ser o motivo por ter adquirido 116 kg, com apenas 15 […]


Erik Luiz Busnello Berti diz que tem uma alimentação saudável. “Não como nada fora de hora. Só tomo café, almoço e janto”. Nem passa pela cabeça do garoto que esse intervalo extenso entre uma refeição e outra, agregada à falta de exercício físico, pode ser o motivo por ter adquirido 116 kg, com apenas 15 anos. Ele conta que há dois anos era um adolescente com peso normal, considerando que o Índice de Massa Corpórea – IMC – não passava de 25kg/m³, ideal para o biotipo dele e hoje  chega a 37,4 kg/m³.

Após ter parado de fazer trilha de bicicleta, Erik notou que estava aumentando de peso. Apesar disso, o garoto afirma que consome alimentos saudáveis. “Adoro frutas e até como legumes e verduras”. Em compensação, ele não abandona o refrigerante e a macarronada da avó, que condena essa alimentação, muitas vezes desregrada, já que Erick tem tendência a engordar. “Eu tive que fazer redução de estômago”, ressalta a avó.

Esta é a história de uma das 305 pessoas diagnosticadas com sobrepeso e obesidade em uma pesquisa intitulada: “Prevalência de Obesidade em crianças, adolescentes e adultos jovens na Secretaria de Desenvolvimento Regional – SDR – de São Miguel do Oeste”. O levantamento foi realizado pelo Curso de Educação Física da Unoesc – Campus de São Miguel do Oeste – durante os anos de 2007 e 2008, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina –  Fapesc.

Ao todo, 1320 pessoas participaram do diagnótico, sendo 51,9% homens e 48,1% mulheres. Além de constatado índices de obesidade, outro dado descoberto é que 12% dos indivíduos foram diagnosticados com algum nível de desnutrição. Esses números renderam uma outra pesquisa que está sendo realizada pelo curso neste ano.

Conforme a  coordenadora do Curso de Educação Física e do projeto, professora Andréia Prates Ribeiro, esse tema foi escolhido devido à preocupação com os índices de obesidade precoce de adolescentes, adultos jovens e, principalmente, crianças, que estão sendo diagnosticadas. “Essas crianças correm um grande risco de serem adultos obesos. Se conseguirmos detectar a obesidade ainda na infância, será possível orientar de que forma essa criança pode ter uma fase de adulta de maior qualidade de vida”, destaca.

A pesquisa

O estudo foi realizado nas escolas estaduais e municipais pertencentes à Secretaria do Desenvolvimento Regional – SDR – de São Miguel do Oeste. A equipe de profissionais e acadêmicos de Educação Física se deslocava até as escolas e efetuava as medições de altura, verificava o peso, utilizava a fita métrica para medir a circunferência da cintura e o compasso específico para as dobras cutâneas. Após o diagnóstico realizado no Laboratório de Fisiologia do Esforço da Unoesc – Lafe – e com a ajuda da nutricionista Deisy Burin, os laudos eram emitidos para que as escolas realizassem os encaminhamentos necessários, além de repassarem as informações aos pais.

Obesidade

Dentre os principais desencadeadores de obesidade está o estilo de vida de cada pessoa, que engloba o tipo de alimentação, a atividade física, o controle emocional, o comportamento preventivo, o relacionamento social e a predisposição genética, como é o caso de Erik. “O estilo de vida das pessoas junto das facilidades do mundo moderno, faz com que elas se tornem mais propensas ao sedentarismo. O uso do carro, de elevador, controle remoto, videogame, e até mesmo a violência nas ruas, que faz com que as crianças, adolescentes e jovens adultos permaneçam mais em casa, podendo desencadear a obesidade”, ressalta a coordenadora.

O profissional

Os acadêmicos e os profissionais da área da Educação Física colocaram em prática conteúdos aprendidos durante o curso, a partir de intervenções com o auxílio das atividades físicas. Conforme a egressa do curso, que foi bolsista da pesquisa, Ana Paula Tretin, foi muito importante esse diagnóstico que futuramente servirá para as prefeituras e escolas poderem ajudar na melhoria dessas condições. Para ela, o simples fato de aprender todas as técnicas da análise de composição corporal já foi compensatório. “Participando desse projeto, pude aprender todas as técnicas e agora me sinto mais segura e preparada”, revela.
A cultura
Durante a realização do projeto, observou-se que o estilo de vida muda conforme o ambiente que os indivíduos estão inseridos. “Percebemos que as pesquisas apresentam dados bastante diferentes de outras regiões do país. São crianças, adolescentes e jovens adultos que sofrem influência direta da cultura alemã e italiana na própria forma de se alimentar”, afirma a professora Andréa, coordenadora do projeto. Segundo ela, se essa alimentação não for bem distribuída durante o dia, associada a pouca ou muita atividade  física, pode ocasionar esses desequilíbrios, como a obesidade e/ou a desnutrição.

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