Negócio da China
– A China não é mais um país de trabalho escravo onde as pessoas só comem insetos – afirmou a diretora de relações internacionais da Assessoria e Consultoria Radar China, Bruna Santos, que esteve na Unidade de Chapecó nesta semana. Bruna falou sobre os desafios e oportunidades de negócios com a China para empresários, profissionais […]
Publicado em 03/10/2012
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– A China não é mais um país de trabalho escravo onde as pessoas só comem insetos – afirmou a diretora de relações internacionais da Assessoria e Consultoria Radar China, Bruna Santos, que esteve na Unidade de Chapecó nesta semana. Bruna falou sobre os desafios e oportunidades de negócios com a China para empresários, profissionais e acadêmicos. O evento foi promovido pelo Curso de Comércio Exterior, com apoio do Núcleo de Comércio Exterior e Logística da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC).
A palestrante, que mora na China há três anos, iniciou a apresentação com informações gerais sobre o país e observou que as questões culturais são preponderantes na hora de fechar um negócio com os chineses. Uma característica importante, que deve mudar o perfil das negociações, é a urbanização.
– Hoje são 1,37 bilhão de chineses, segundo os dados oficiais do censo de 2010. Em 2030, deverão ser 1 bilhão nas cidades – 80% da população”.
Com a urbanização, Bruna diz que mudarão as necessidades e gostos do consumidor chinês.
– Aumentará o consumo de proteína e de grãos. Para o Brasil, isso é algo que traz boas expectativas, já que país é um celeiro – constata.
Porém, a palestrante sugere aos empresários que a inovação é fundamental.
– O empreendedor que quiser exportar precisa ter foco, sofisticação e inovação, pois o produto Made in Brasil é visto com bons olhos pelos chineses. No entanto, é necessário descobrir a vocação e mostrar que o país tem muito mais do que futebol, samba e commodities – afirma a palestrante.
Bruna salienta que o país mais populoso do mundo ainda é carente em muitas áreas que o Brasil tem experiência e respaldo.
– A China precisa de novas formas de construção civil, novas formas de poluir menos, novas tecnologias sociais e de segurança alimentar – avalia.
Após o encontro com os empresários, Bruna ministrou palestra para os estudantes do curso de Comércio Exterior e apresentou as oportunidades na área.
A PALESTRANTE
Bruna Santos trabalha como consultora e analista de mercado e risco da Chinatex Oil and Grains, estatal chinesa do setor de alimentos. Foi assistente de pesquisa e de análise de conjuntura do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais (NERINT) e do Centro de Estudos Brasil-África do Sul (Cesul). Atuou no desenvolvimento do Projeto de Internacionalização do Terceiro Setor Gaúcho, coordenado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul e como operadora de Câmbio do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, com experiência na análise e negociação de contratos de exportação e importação.
INTEGRAÇÃO UNIVERSIDADE E EMPRESÁRIOS
O diretor geral da Unidadde da Unoesc em Chapecó, professor Ricardo Antonio de Marco, destacou o potencial do município e da região para o desenvolvimento de negócios inclusive com o exterior e falou da inserção da Unoesc neste contexto. De Marco observou que os encontros promovidos pelos cursos com os empresários têm dado resultados positivos e vem consolidando a Unoesc Chapecó como instituição de ensino superior com foco na gestão de negócios.
– Esse foco é, na verdade, uma decisão de postura e de posicionamento, ou seja, em todas as ações que fazemos, buscamos aproximar a relação com o público empresarial, entidades de classe e entidades representativas de Chapecó e região – destaca De Marco.
A coordenadora do Curso de Comércio Exterior, professora Inocencia Boita Dalbosco, deu as boas vindas e disse que o curso está à disposição dos empresários para receber as demandas e, em conjunto, consolidar conhecimento e tecnologia para o desenvolvimento do setor.
No encontro, o coordenador do Núcleo de Comércio Exterior e Logística da ACIC, Sérgio Matte, destacou a importância da aproximação dos empresários com o meio acadêmico. Ele enfatizou que a qualidade das informações que os dois meios detêm e podem trocar é muito significativa para o desenvolvimento deste setor na região Oeste. O diretor de Núcleos Setoriais da ACIC, Francis Marcel Post, citou o acordo de cooperação e intercâmbio empresarial que foi assinado, na China, pelo presidente da entidade, Maurício Zolet, e o administrador de Ninghai (Ningbo, Leste da China), cidade-gêmea de Chapecó, no mês de maio. Além disso, ele elogiou a integração do curso da Unoesc com o Núcleo de Comex que está sempre pleiteando, junto aos órgãos competentes, as demandas do setor.