Mostra de Direito e Cinema propõe formas alternativas de ensino
O Curso de Direito da Unoesc, Campus de Joaçaba, está realizando a II Mostra de Direito e Cinema. A proposta do evento que se estende até amanhã, quarta-feira, é aproveitar a linguagem dessa ferramenta para discutir temas fundamentais à sociedade, como “Liberdade”, que é o mote desta edição. A abertura ocorreu ontem à noite. Teve […]
Publicado em 04/05/2010
Por Unoesc
O Curso de Direito da Unoesc, Campus de Joaçaba, está realizando a II Mostra de Direito e Cinema. A proposta do evento que se estende até amanhã, quarta-feira, é aproveitar a linguagem dessa ferramenta para discutir temas fundamentais à sociedade, como “Liberdade”, que é o mote desta edição.
A abertura ocorreu ontem à noite. Teve a participação de Thiago Fabres, Doutor pela Unisinos e professor da Ufsc e do Cesusc de Florianópolis. Ele falou sobre o livro “Processo Penal Eficiente e Ética da Vingança”, lançado em dezembro de 2009 pela Editora Lumen Juris, do Rio de Janeiro, tendo Fabres e o juiz Alexandre Morais da Rosa como autores.
O palestrante fez um paralelo entre o conteúdo do livro e o filme Abril Despedaçado, que conta a história de duas famílias que lutam entre si pela posse da terra, em um ciclo de vinganças intermináveis. “Ao decorrer do filme, abrem-se novas perspectivas de superação dos conflitos, pois ele mostra que cada indivíduo vive o conflito de maneira diferente”, explicou.
Após a abordagem de Fabres, foram convidados a integrar o debate os professores Ricardo Nodari e Maurício Eing, além do diretor de Graduação da Unoesc, Ricardo Marcelo de Menezes, que coordenou as discussões. Hoje pela manhã, a Mostra teve sequência com um debate sobre o filme Um Estranho no Ninho. O mediador foi o professor Alvarito Baratieri e os debatedores foram Ricardo Nodari e o ex-professor do curso Benhur de Marco.
Segundo o coordenador do evento, professor Antônio Brito, a intenção da Mostra de Cinema e Direito é aproveitar a linguagem deste último para discutir principalmente temas marginais, a partir de um viés diferente, o qual é proporcionado pelo enredo escolhido.
“Estamos habituados a um conceito muito conservador de aula, com o professor falando e o aluno escutando. Queremos encontrar práticas de ensino alternativas. E o cinema tem uma força de expressão muito grande. É uma forma alternativa de discussão e aprendizagem”, afirma Brito.
A programação segue até amanhã. Nesta noite, o coordenador da Mostra e os professores Ancelmo Pereira e Camila Nunes Pannain (mediadora) discutem o filme Fernão Capelo Gaivota. Amanhã pela manhã, o filme que será posto em discussão é Faces da Verdade. À noite será O Exorcismo de Emily Rose.
Os debatedores na parte da manhã serão os professores Maruício Eing, Arnaldo Ferreira e Ricardo Nodari (mediador). À noite as discussões ficarão por conta do professor Cristhian de Marco e da coordenadora do curso, Ana Carolina Lopes Olsen, e mediadas pelo presidente do Centro Acadêmico do curso, Luan Dias.
“Processo Penal Eficiente e Ética da Vingança”
A abertura da II Mostra de Cinema também foi palco para o lançamento do livro “Processo Penal Eficiente e Ética da Vingança”. A obra aborda a eficiência no processo penal e a relação entre a pena e o castigo (que é chamada ética da vingança), além de lançar mão de outras possibilidades ou mecanismos para resolver conflitos violentos.
Segundo o autor, todo agrupamento social, desde os mais primitivos até as sociedades mais complexas, criam formas de punição e castigo. Isso consiste em traçar os limites entre o que é aceitável ou inaceitável, a partir do que são criados mecanismos para responder aos eventos intoleráveis.
Com esse ponto de vista, Fabres indaga em que medida a pena se manifesta como instrumento de vingança e como é possível realizá-la dentro de uma vingança que seja ética e não destruidora. “O direito penal acaba reproduzindo e perpetuando o mal, ao invés de servir como instrumento de limitação da violência e de pacificação”, defende.
O autor ainda afirma que ao atribuir sentido à pena, a sociedade preocupa-se com o agressor e esquece de tratar o sofrimento da vítima. “O que proponho no livro é resgatar o sofrimento da vítima, não apenas exacerbá-lo e instigar o sentimento de vingança que é praticamente inerente à condição humana. Trazendo o sofrimento da vítima à tona, conseguimos construir outras possibilidades de solução dos conflitos muito mais interessantes”, diz.