Dia do Psicólogo é lembrado com debate sobre adoção
O curso de Psicologia da Unoesc Videira, em comemoração ao Dia do Psicólogo, realizou nesta terça-feira, 27, o 8º Ciclo de Debates, que trouxe como tema ADOÇÃO: Desejo X Frustração. O encontro foi mediado pelo professor do curso dr. Adriano Schlösser, psicólogo e pós-doutor em Ciências do Movimento Humano e reuniu profissionais da área, estudantes, professores e […]
Publicado em 28/08/2019
Por Unoesc
O curso de Psicologia da Unoesc Videira, em comemoração ao Dia do Psicólogo, realizou nesta terça-feira, 27, o 8º Ciclo de Debates, que trouxe como tema ADOÇÃO: Desejo X Frustração. O encontro foi mediado pelo professor do curso dr. Adriano Schlösser, psicólogo e pós-doutor em Ciências do Movimento Humano e reuniu profissionais da área, estudantes, professores e pessoas da comunidade.
Felipe Ferreira de Jesus, psicólogo social do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, lotado na comarca de Joaçaba, com atuações nos serviços de acolhimento institucional do município de Videira e da equipe do NASF de Pinheiro Preto, foi um dos debatedores. Felipe apontou as questões sociais que envolvem a adoção e afirmou que o processo pode demorar de 3 a 5 anos. O psicólogo explica que, atualmente no Brasil, são 40 mil pessoas ou casais que esperam na fila por uma criança para adotarem, enquanto estão aptas para adoção, apenas 9 mil, e que uma das saídas, seria incentivar a população para a adoção tardia.
— A maioria das crianças que esperam pela adoção possuem mais de 3 anos, além disso, são negros ou pardos ou fazem parte de grupos de irmãos, fatores que não atendem o perfil de quem pretende adotar — ressaltou Felipe.
Números em Videira
Já em Videira, a assistente social do Fórum da Comarca, Cristiane Fernanda Werlang, também debatedora no evento, diz que são 25 casais aptos e nenhuma criança no momento para ser adotada, e aponta que o perfil das crianças que estão na fila para adoção é o principal fator que dificulta uma adoção, visto que a maioria dos casais preferem crianças recém-nascidas.
Cristiane abordou as etapas do serviço social no processo de adoção, com base nos ordenamentos do Poder Judiciário de Santa Catarina e reforçou que não basta querer um filho adotivo, é preciso primeiramente estar preparado para essa nova missão.
— A vontade em adotar uma criança precisa ser um processo de construção, assim como o pré-natal, onde existe um planejamento para esse filho que vai chegar. Durante esse tempo, o casal se prepara para atender todas as demandas que o processo exige — reiterou Cristiane.
A assistente social informa que as pessoas interessadas devem procurar o fórum da sua região e manifestar seu interesse. Então preenchem um requerimento, passarão por uma avaliação social, curso de preparação de 16 horas e, após a aprovação pelo juizado, entram para fila de adoção.
Mãe relata experiência da adoção
O Ciclo de Debates contou também com a participação de Aline Perazzolli Burato, que relatou acerca da experiência quanto ao processo de adoção, ser mãe de crianças adotadas, e os aspectos psicológicos e sociais que a família vivenciou no processo de adoção.
— Eu e meu esposo não poderíamos ter filhos biológicos e optamos pela adoção. O desejo de ter um filho era muito grande e iniciamos a caminhada com ajuda de profissionais das áreas da psicologia e assistência social. Hoje temos dois filhos, um de cinco e outro de sete anos. Nossa vida mudou completamente e os dois adquiriram nossas características Optamos pela adoção tardia e os dois são irmãos biológicos. Quebramos o tabu e hoje posso afirmar que me sinto mãe e me emociono de verdade. Eles são minha vida. Foi um ato de amor e coragem. A pessoa tem que se jogar sem medo, não ter receio. Não importa a idade, cor ou raça, os laços afetivos são construídos com amor e de forma contínua e não por laços sanguíneos — afirmou.
Aline finalizou afirmando que o processo para adotar os dois irmãos, que na época tinham 3 e 5 anos, foi rápido e que não existe burocracia para quem está determinado a esse ato de amor.
Ainda no encontro, a acadêmica da 4ª fase do curso de Psicologia, Claudilene Rosa da Silva, que desenvolveu um artigo científico sob orientação da professora Taisa Trombetta DeMarco, participou da banca como debatedora.
Evento permanente
O professor mediador, dr. Adriano Schlösser, ressalta a adoção é um processo de colocar em um lar substituto, uma criança deixada por seus genitores, permitindo a outros casais serem pais, cuidar e proporcionar uma família para ela. Ele também reforçou que o Ciclo de Debates em Psicologia passou a ser uma atividade permanente do curso de Psicologia da Unoesc Campus Videira, que pretende instigar e envolver a comunidade como um todo.