Análises feitas pelo Laboratório de Microbiologia apontam melhoria da qualidade da água
A água é um elemento essencial para manutenção da vida na Terra e, por isso, a Unoesc São Miguel do Oeste, tem desenvolvido diversas ações com o objetivo de contribuir para melhoria da qualidade da água da região do Extremo-oeste de Santa Catarina. O laboratório de Microbiologia desenvolve atividades desde 2003, e o resultado das […]
Publicado em 10/10/2016
Por Unoesc
A água é um elemento essencial para manutenção da vida na Terra e, por isso, a Unoesc São Miguel do Oeste, tem desenvolvido diversas ações com o objetivo de contribuir para melhoria da qualidade da água da região do Extremo-oeste de Santa Catarina.
O laboratório de Microbiologia desenvolve atividades desde 2003, e o resultado das análises de água, aponta uma melhoria na sua qualidade na região Extremo-oeste catarinense. O resultado é reflexo das ações de conscientização realizadas pela Unoesc na comunidade. Segundo a professora, doutora Eliandra Mirlei Rossi, o controle da contaminação da água está diretamente relacionado com a proteção à saúde, à garantia do meio ambiente ecologicamente equilibrado e à melhoria da qualidade de vida.
— Faz-se necessário o monitoramento constante da qualidade da água. O Laboratório de Microbiologia realiza um trabalho de orientação com o objetivo de manter a qualidade microbiológica e evitar a disseminação de doenças — afirma Eliandra.
No período compreendido entre 2003 a 2009, o número de amostras impróprias para o consumo foi igual ou superior ao número de amostras próprias. O ano de 2004, foi o período em que o Laboratório de Microbiologia mais recebeu amostras impróprias para o consumo – foram 223 amostras. A professora Eliandra Mirlei Rossi explica que, naquele ano, o laboratório recebeu um número elevado de amostras provenientes de mananciais hídricos superficiais. Além disso, em 2004, poucas pessoas da região conheciam ou faziam a análise da água que consumiam, não adotando práticas para melhorar ou manter a qualidade.
A partir de 2010, graças a um intenso trabalho de conscientização da Unoesc, os dados começaram a apontar uma nova realidade. A população do Extremo-oeste começou a ficar mais preocupada em cuidar da qualidade da água e essa mudança de comportamento refletiu no resultado das análises feitas pelo laboratório. Desde 2010, o percentual de amostras próprias para o consumo é superior ao de amostras impróprias. Em 2015, o percentual de amostras próprias para o consumo chegou a quase 80%. Somente no primeiro semestre, deste ano, 72% das análises eram consideradas próprias para o consumo.
Qualidade da água: compromisso da Unoesc com a região Extremo-oeste
Desde 2003, quando a Unoesc implantou o serviço de análise microbiológica, até o primeiro semestre de 2016, foram realizadas 1.884 análises para a população em geral, prefeituras, sindicatos, hotéis, serviços de alimentação, hospitais, farmácias, condomínios e escolas.
Todo ano, são realizados diversos projetos de pesquisa, trabalhos de conclusão de curso (TCC) e de especialização, que atendem à população carente, que nunca fez a análise da água.
— Após a realização de cada projeto, são repassados à comunidade os resultados e orientações de como manter ou melhorar a qualidade da água consumida — detalha a professora Eliandra Rossi.
Os professores e profissionais da Unoesc também participam de diferentes eventos para discutir medidas para melhorar a qualidade da água, além de debater dados com as secretarias de saúde e vigilância sanitária e desenvolver ações de conscientização com a comunidade.
Em 2008 e 2009, a Unoesc, em parceria como Ministério Público (MP), desenvolveu o Projeto do Rio Guamerim.
— Esse projeto originou dados sobre a qualidade microbiológica da água, as condições ambientais próximas ao rio, a percepção da população e o levantamento geográfico e histórico do rio. A partir disso, foram promovidas atividades de conscientização e ações de melhoria — detalha a professora. A problemática do Rio Guamerim virou tema de um documentário, produzido pelo curso de Jornalismo, que foi utilizado em escolas e na comunidade.
Os riscos que a água contaminada oferece à saúde
Por trás de um copo de água com ausência de cor, odor e gosto podem se esconder micro-organismos invisíveis ao olho nu. Isso reforça a importância da água das residências passar por análises a cada seis meses. Quando a análise não é feita, o risco de contrair alguma doença é alto.
A professora Eliandra explica que a contaminação microbiológica é avaliada por um grupo de micro-organismos denominados de coliformes. Esse grupo inclui bactérias de origem ambiental e de fezes humanas e animais.
— Esse grupo de bactérias não é patogênico, ou seja, não causa doenças. Entretanto, a presença deles na água indica que há possibilidade de ter outros patógenos disseminados por fezes, como o vírus da Hepatite A, Salmonella sp., Giardia lamblia (causador da Giardíase), rotavírus e outros que podem causar, principalmente, doenças de origem gastrointestinal — alerta a professora.
A população também precisa fazer a limpeza das caixas, no mínimo, a cada seis meses. A falta de limpeza e desinfecção de filtros e caixas também interferem negativamente na qualidade da água.
Como cuidar da água
Na busca pela melhoria da qualidade da água, é imprescindível proteger os mananciais hídricos de qualquer tipo de degradação. As pessoas devem manter poços fechados para impedir a entrada de resíduos e, se possível, manter mata ciliar aos redores. O local também deve ser cercado, impedindo a entrada de animais. Os animais devem ter, ao longo da propriedade, cochos para abastecimento de água, evitando assim que transitem junto às nascentes e córregos. Os produtores também devem construir fossas para os rejeitos animais, principalmente, quando há criação de suínos na propriedade.
A construção de fossas sépticas nas residências também é imprescindível para evitar o lançamento de esgotos nos mananciais hídricos. Entretanto, elas devem ser construídas longe de mananciais hídricos. Ações como essas contribuem para a melhoria da qualidade de vida.
— O acesso à água potável é uma necessidade humana básica e essencial para a saúde e o bem estar da população. Desse modo, a sua qualidade torna-se muito importante, já que a água contaminada pode conter micro-organismos patogênicos e, consequentemente, causar diversas doenças — conclui a professora Eliandra Rossi.