ACORDA, OESTE!
Perda de competitividade das empresas pela falta de infraestrutura e distância dos grandes centros de consumo, êxodo de jovens, saída de capitais, migração das agroindústrias para o centro-oeste brasileiro, estagnação industrial, deficiência no abastecimento de energia elétrica e de água, aumento dos custos de produção e incapacidade de atração de novos empreendimentos. Esse é […]
Publicado em 16/10/2012
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Perda de competitividade das empresas pela falta de infraestrutura e distância dos grandes centros de consumo, êxodo de jovens, saída de capitais, migração das agroindústrias para o centro-oeste brasileiro, estagnação industrial, deficiência no abastecimento de energia elétrica e de água, aumento dos custos de produção e incapacidade de atração de novos empreendimentos.
Esse é o atual cenário do grande oeste catarinense discutido nesta terça-feira, em Chapecó, no SEMINÁRIO “COMPETITIVIDADE E DESENVOLVIMENTO” organizado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e pela Universidade do Oeste de SC (UNOESC). Realizado no auditório da Unoesc Chapecó, integrou entidades empresariais, Governo, instituições de ensino, agentes de desenvolvimento e empresários.
Lideranças empresariais destacaram a necessidade de infraestruturação regional para manter as empresas no oeste, especialmente a construção da ferrovia norte-sul para ligar Chapecó ao Mato Grosso e garantir o suprimento de grãos do centro-oeste brasileiro para as agroindústrias catarinenses e a duplicação da rodovia federal BR-282. Além disso, a malha rodoviária regional está deficitária e prejudica o escoamento da produção. O vice-presidente regional da Fiesc, Waldemar Schmitz, enfatizou o peso dessas deficiências na competitividade das empresas.
O prefeito em exercício de Chapecó, Américo Nascimento Júnior, lembrou que somente Chapecó arrecada 100 milhões de reais em tributos federais e estaduais a cada semestre e há 20 anos espera esses investimentos públicos.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Carne de SC (Sindicarne), Clever Pirola Ávila, relatou que Santa Catarina produz carne de qualidade há 40 anos e nesse período conquistou o mercado de 150 países, na condição de maior produtor e exportador de carne de aves e suínos. No ano passado perdeu a posição para o Paraná e padece das dificuldades conhecidas como “custo Brasil”. As greves do serviço público, a alta dos custos a falta de crédito interno e as barreiras comerciais externas destroem a competitividade da indústria da carne.
– Estamos ficando para trás – alerta, lembrando que o Paraná abriu três novas indústrias de aves este ano e Santa Catarina está na iminência de fechar várias plantas em razão da crise do superencarecimento dos grãos.
O executivo da Coopercentral Aurora Alimento, Rodrigo Santana Toledo, assinalou que a péssima malha rodoviária vicinal regional encarece a produção e impede a modernização da frota com o emprego de caminhões mais econômicos (e quatro eixos) para distribuição de rações e coleta de planteis em razão da largura das estradas e da fragilidade das pontes. Além disso, a distribuição e o suprimento de energia elétrica são deficientes.
O professor de economia da UFSC, Pablo Felipe Bittencourt, reportou pesquisa na qual confirma: Santa Catarina é um estado em situação de desindustrialização. O Secretário de Planejamento de Santa Catarina, Filipe Freitas Mello, anunciou que o governo está concluindo os planos de desenvolvimentos regionais para cada uma das 36 regiões administrativas do território catarinense para, no primeiro semestre de 2013, apresentar o plano de desenvolvimento de Santa Catarina. Também implementará o plano de desenvolvimento e integração da fronteira (PDIF). Com esses dois instrumentos, o governo pretende reduzir as deficiências regionais. Lembrou que o Estado tem o melhor índice de desenvolvimento humano do país e é o sétimo maior arrecadador de tributos.
O reitor da Unoesc, professor Arístides Cimadon, lamentou a má qualidade da educação brasileira e lamentou que apenas o Brasil e o Haiti têm, no mundo, escola pública com apenas três horas de carga horária diária. E pregou a integração de ações entres as universidades, o setor privado e o setor publico. Mencionou estudo da Unoesc de caráter socioeconômico e demográfico de conclusões preocupantes: a população jovem está se reduzindo velozmente e a população de idosos aumentando. Nesse ritmo,em 15 anos, a metade da população regional terá mais de 40 anos.
SOLUÇÃO
O presidente da Fiesc, Glauco José Corte, realçou que tão importante quanto as obra de infraestrutura reclamadas pela região é a formulação de uma política de apoio ao desenvolvimento do grande oeste catarinense – o que a Federação fará em parceria com a Unoesc para propor ao governo e a sociedade econômica barriga-verde. Essa política dará rumo ações publicas e privadas e indicará parcerias e projetos essenciais para a região. O dirigente considera vital assegurar a competitividade e a expansão das empresas instaladas no oeste e a atração de novos empreendimentos. Por isso, estarão previstos incentivos fiscais e materiais e a indicação de parcerias público-privadas.
Também participaram dos debates o Secretário da Fazenda de Santa Catarina, Nelson Antônio Serpa; o secretário do Conselho de Integração Nacional da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Flávio Castelo Branco; o diretor executivo da Agenda 2020 do Rio Grande do Sul, Ronald Krummenauer; o coordenador geral dos fundos constitucionais de financiamento do Ministério da Integração Nacional Maurílio Alves Barcelos, o representante do BRDE Paulo Antoniollo e o consultor Richard Fogaça.