Economia aquecida: aumento da produção e escassez de mão de obra
Um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas e indústrias brasileiras nesses últimos anos é a falta de mão de obra qualificada. Sobram vagas, há desemprego, mas a falta de formação na área impede muitas vezes a contratação de pessoas em diversas áreas. Essas questões foram discutidas durante a palestra-mesa redonda, com o tema “Apagão da […]
Publicado em 25/05/2011
Por Unoesc
Um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas e indústrias brasileiras nesses últimos anos é a falta de mão de obra qualificada. Sobram vagas, há desemprego, mas a falta de formação na área impede muitas vezes a contratação de pessoas em diversas áreas. Essas questões foram discutidas durante a palestra-mesa redonda, com o tema “Apagão da mão de obra”, promovido pelo curso de Administração da Unoesc Chapecó, na última terça-feira (24). O debate foi conduzido pelo gerente de Recursos Humanos da Aurora Alimentos, Nelson Rossi, e pelo diretor de Agropecuária da cooperativa e presidente da Ocesc, Marcos Zordan, e mediado pelo coordenador de Administração da Unoesc Chapecó, professor Jeancarlo Zuanazzi.
Rossi iniciou as discussões apresentando dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria, indicando os setores que mais encontram dificuldades na contratação de mão de obra: produção – operadores (94%); produção – técnicos (82%); vendas e marketing (71%) e administrativo (66%). Outro dado que chama atenção foi divulgado pelo MEC: em 1998, o número de matriculados nos cursos de engenharia era de 7.1%. Dez anos depois, a porcentagem é de apenas 1.3. Na área da computação, em 2008, estava em 1.3%, sendo que dez anos antes chegava a 3.9. “Sobram vagas de emprego nessas áreas”, disse.
O palestrante destacou dois motivos principais para o apagão da mão de obra: o aquecimento da economia, devido ao aumento do consumo e, como consequência, da produção, exigindo um número maior de contratação para atender essa demanda; e a redução do número de formandos. “Nas engenharias, há demanda para 50 mil novos profissionais por ano, enquanto pouco mais de 20 mil são formados”.
Outro fator responsável pela falta de profissionais qualificados para as áreas de produção podem ser a mudança de pessoas das classes D e E para a classe C. Em 2003, 55% da população fazia parte das classes D e E, mas, em 2014, será 28%. “Como os trabalhadores das classes D e E são os que ocupam as vagas na produção, será cada vez maior a escassez da mão de obra nesses setores. É um processo em que os países desenvolvidos já passaram há muitos anos”, explicou Rossi.
De que forma as empresas tem lidado com essa situação? De acordo com Rossi, elas procuram fortalecer as políticas de retenção do trabalhador (remuneração/benefícios); melhoram os processos de adaptação e captação de profissionais e até mesmo automatizam os processos que demandam um maior número de pessoas. “Realizar capacitações na própria empresa e firmar parcerias com instituições de ensino superior também são saídas para muitas empresas”, acrescentou.
O diretor de Agropecuária da Aurora, Marcos Zordan, enfatizou o desafio dos profissionais em aliar conhecimentos teóricos a experiências. “Para ter reconhecimento, é preciso suar antes e ter consciência de que nada cai do céu. Os profissionais devem se dedicar à empresa, pois eles não são mais contratados pelo diploma e sim pela competência”, ressalta. Nesse caso, “o estágio pode ser a porta de entrada para muitos mostrarem o seu valor”, complementou.
Zordan conta que todos os gerentes da cooperativa são pessoas que se destacaram e cresceram na empresa. “As pessoas devem brigar pelas oportunidades e se doar para alcançar o sucesso profissional”.
O coordenador de Administração da Unoesc Chapecó, Jeancarlo Zuanazzi, salientou que uma das preocupações da Unoesc é formar profissionais preparados para enfrentar o mercado. Para isso, desenvolve parcerias com empresas para compreender o perfil da demanda da mão de obra na região e trabalha com programas de capacitações para o mercado de trabalho. “Procuramos oferecer ensino e oportunidades de capacitação aos nossos alunos. Mas o estudante deve ter planejamento pessoal para saber onde quer chegar”.
“O encontro foi fundamental para os nossos alunos reconhecerem a importância da formação para melhorar o desempenho pessoal, profissional e organizacional”, finalizou o coordenador do curso de Administração da Unoesc Chapecó, professor Gilberto Pinzetta.
MARCOS A. BEDIN
Registro de jornalista profissional MTE SC-00085-JP
Matrícula SJPSC 0172
MB Comunicação Empresarial/Organizacional