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Segundo dia de Colóquio: conferencista defendeu um novo modelo de escola

Por: ANDERSON LUIZ CONDOR BALTAR
anderson.baltar@unoesc.edu.br
30 de Julho de 2009

Evento prossegue até sexta-feira no Campus de Joaçaba

O segundo dia do II Colóquio Internacional em Educação foi aberto com a conferência do reitor da Universidade de Lisboa, Antonio Nóvoa, que abordou o tema “A escola hoje: bases comuns, percursos diferentes”. Coordenando a mesa, o vice-reitor Acadêmico, Luiz Carlos Lückmann e a professora Leda Scheibe (Unoesc/UFSC).

Nóvoa iniciou sua apresentação abordando o fato de que o conceito de escola surgiu na segunda metade do século XIX e, com o passar dos anos, esse modelo foi aperfeiçoado. As turmas passaram a ser cada vez mais homogêneas, a pedagogia mais normatizada, as escolas foram construídas de maneira uniforme e surgiram sistemas escolares unitários, que serviram para o reforço das soberanias nacionais e da língua como instituto de unidade nacional.  Este modelo, denominado de “Escola para todos”, porém, não considerou a diversidade e tornou-se pouco inclusivo. “Educou-se alunos de várias origens com um sistema concebido para alguns. Hoje vemos claramente que este modelo não serve mais. Temos que encontrar uma outra forma de educar nossas crianças”, alertou Nóvoa.

A falência deste sistema, de acordo com o conferencista, fez surgir algumas soluções, como a de retorno ao passado autoritário para que as crianças sejam mais bem educadas ou a privatização. “Muitos pensam que não há mais nada a fazer e isto é um engano. Temos que tentar abrir um novo caminho. A educação é um bem social público e assim tem que permanecer. Com novas formas de organização e novas idéias, podemos encarar a diversidade”, defende Nóvoa.  Para criar um novo modelo de educação, o reitor defende quatro ações básicas.  A primeira é mudar o conceito que permeia a educação: “Não podemos mais defender o direito à educação e sim, lutar pelo direito à aprendizagem. Temos que encontrar diferentes lógicas que incluam todos os alunos no processo de ensino”.

Em segundo lugar, Antonio Nóvoa defendeu que os percursos de aprendizagem de cada aluno devem ser diferenciados. “Um dos maiores erros do sistema educacional atual é que ele é extremamente unificador. Temos que implantar um novo sistema, com uma base comum, mas que, em seguida, o aluno possa construir seu próprio projeto escolar, de acordo com suas aptidões. Com um sistema unificado, muitos alunos não vêem sentido algum na escola e nós temos sempre a tendência de achar que o problema está neles, quando na verdade está no sistema”, disse Nóvoa.  A terceira ação a ser aplicada seria combater a infantilização da escola. Segundo o conferencista, as crianças não podem fazer tudo que querem e os professores têm de conduzir o processo de aprendizagem.

Antonio Nóvoa também defendeu que os professores tenham um diálogo melhor com a sociedade e estabeleçam fronteiras bem definidas para a atuação das escolas. “A escola não pode assumir todos os problemas da sociedade. Recentemente, fiz uma conferência no Parlamento Português e mostrei minha discordância com a atuação dos deputados. Haviam 34 projetos de lei atribuindo à escola funções de outros órgãos governamentais. Por exemplo, havia um projeto para ensinar leis de trânsito em sala de aula. E isso não é função da escola. A sociedade se acostumou a se desculpabilizar e jogar a responsabilidade da educação exclusivamente para a escola”, afirmou o reitor.

Palestras

Na parte da manhã, o Centro de Eventos recebeu o professor Vasco Moretto, da UNB, que falou sobre “Avaliação dos processos de ensino e aprendizagem”.  No Auditório Afonso Dresch,  o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, abordou a “Ética da sustentabilidade e a formação humana: os novos desafios para a educação”. Na parte da tarde, no Centro de Eventos, Antonio Manuel Pamplona Morais, da Clínica de Psicologia de São Paulo, discorreu sobre “O processo de aprendizagem: uma abordagem interdisciplinar”. No Auditório Afonso Dresch, Rita de Cassia Prazeres Frangella, da UERJ, fez palestra sobre “Políticas curriculares para infância e suas implicações na educação infantil e ensino fundamental: questionamento e desafios docentes”. No auditório D, Menga Lüdke, da PUC-RJ, apresentou o tema “Aproximando a universidade e educação básica pela pesquisa”. Já no Complexo  Desportivo, a professora Marilda Pasqual Schneider (Unoesc) falou sobre  “Ensino Fundamental de 9 anos: o direito a aprender.

A programação do dia foi encerrada com duas palestras noturnas no Centro de Eventos. O deputado estadual Pedro Uczai abordou “A formação para a cidadania na educação básica: o papel das Ciências Humanas”. E Gerson Luís Trombetta, da UPF, fez um relato do tema “Estetização e embrutecimento: retratos da cultura contemporânea”.

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