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Psicologia promove curso falando abertamente sobre suicídio

Por: João Luiz Bariviera
joao.bariviera@unoesc.edu.br
15 de Setembro de 2020

O curso de Psicologia da Unoesc Videira realizou, no dia 12 de setembro, para a 8ª fase o curso "Suicídio, falando abertamente", ministrado pelo psicólogo e especialista em Automutilação, Prevenção e Posvenção ao Suicidio, Abel Petter. O evento on-line mobilizou professores e acadêmicos num debate sobre o fenômeno do suicídio e suas diversas causas multifatoriais, bem como procurou instrumentalizar os futuros profissionais na atuação frente ao comportamento suicida.

De acordo com Abel, as taxas de suicídio no contexto brasileiro têm ido na contramão de outros países, que conquistaram queda acentuada. Isso indica a gravidade enfrentada no contexto nacional, sendo necessária formação e profissionalização de quem atua na saúde mental, assim como a desmistificação de estereótipos atribuídos a pessoas em sofrimento psicológico.

Segundo Abel Petter, a pouca ênfase dada na formação profissional dos profissionais da saúde, principalmente psicólogos e médicos, favorece aos atendimentos psicológicos precários e pouco eficientes, devido ao conhecimento e investigação superficial sobre cada caso, fazendo por vezes, uso de rótulos que podem prejudicar ainda mais o sofrimento da pessoa em alguma modalidade de comportamento suicida.

No contexto de Videira e regiões adstritas, a psicóloga Caroline Carboni, egressa do curso de Psicologia da Unoesc Videira, sob orientação do professor Adriano Schlösser, realizou em seu TCC, um estudo epidemiológico para identificar a incidência de suicídio consumado e características dos indivíduos que cometeram suicídio em 9 municípios da região do meio Oeste de Santa Catarina, Brasil (Videira, Arroio Trinta, Fraiburgo, Ibiam, Iomerê, Pinheiro Preto, Monte Carlo, Salto Veloso e Tangará), entre janeiro de 2014 e julho de 2019, com o intuito de traçar o perfil epidemiológico das vítimas de suicídio no local. Como resultados, identificou-se a ocorrência de 71 suicídios na região, com variação entre 10 e 15 mortes anuais, sendo 2014 e 2017 os anos com maiores registros.

O maior número de suicídios está entre a população masculina, adulta, casada e que possui o Ensino Fundamental incompleto. Entre os homens, a faixa etária mais acometida foi entre os 20 a 39 anos e, entre as mulheres, foi entre 40 a 59 anos. O enforcamento foi a causa mais frequente do suicídio na amostra geral, seguido das armas de fogo (entre os homens) e a intoxicação exógena (entre as mulheres).

Os meses com mais ocorrências registradas foram abril e julho. Não foi identificada, com base nas frequências, relação direta entre ingestão de álcool, drogas ou medicamentos no ato do suicídio.

Videira representou 52% de todas as mortes por suicídio da região, seguido pelo município de Fraiburgo, com 25%. O artigo foi aprovado pela revista de Psicologia Boletim: Academia Paulista de Psicologia, e será disponibilizado à comunidade acadêmica a partir de novembro de 2020.

   De acordo com o Prof. Dr. Adriano Schlösser, coordenador do curso de Psicologia da Unoesc Videira, falar sobre suicídio ainda é tabu na sociedade atual, o que torna complexa a análise dos dados. A existência do sub-registro, subnotificação e formas veladas de suicídio contribuem negativamente para um real dado epidemiológico dos casos.  

— É válido ressaltar a necessidade de profissionais capacitados para atuar frente a este grave problema de Saúde Pública— enfatiza o prof. Adriano. 

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