Neuto Fausto de Conto fala sobre “O Milagre Real”

Por: BRUNA SANTOS DE ANDRADE
brunadeandrade@gmail.com
13 de Março de 2012

Na última semana, Neuto Fausto de Conto, ex-deputado federal que foi relator da Medida Provisória que instituiu o Programa de Estabilização Econômica e a moeda Real em 1994, lançou o livro “O Milagre Real” em três cidades do Oeste Catarinense: em São Miguel do Oeste (quarta-feira), em Chapecó (quinta-feira) e em Joaçaba (sexta-feira). Os três lançamentos ocorreram nos Campi ou Unidade da Unoesc nessas cidades.

Nesta entrevista, o autor – que já foi vereador, deputado estadual, deputado federal, secretário estadual e senador, consultor do Banco Mundial, membro de diversos conselhos e comissões técnicas e hoje é diretor de Operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) – fala um pouco sobre a obra, impressa pela Secretaria Especial de Editoração e Publicações (SEEP) do Senado Federal e distribuída gratuitamente.

Ao final, são publicadas algumas fotografias do lançamento realizado em Joaçaba. Na primeira imagem, Neuto (segundo da esquerda para a direita) aparece ao lado de seu assessor na Direção do BRDE, Guido Schultz (à esquerda), e (a partir de sua direita) de Genesio Téo (presidente da Fundação Universidade do Oeste de Santa Catarina e Vice-reitor da Unoesc Campus de Xanxerê), Vitor Carlos D’ Agostini (Vice-reitor do Campus de São Miguel do Oeste), Aristides Cimadon (Reitor da Unoesc), Antônio Carlos de Souza (Vice-reitor do Campus de Videira) e Nelson Santos Machado (Vice-reitor Acadêmico da Unoesc).

Do que fala o livro “O Milagre Real”?
Neuto:
O livro “O Milagre Real” relata os bastidores de um momento da historia do Brasil. Começo em um tempo bastante anterior (a Independência do Brasil), para introduzir o assunto e para o leitor conhecer melhor a economia, o Produto Interno Bruno e a moeda nacional. Após, para cada presidente tenho um capítulo específico até chegar aos cinco planos fracassados e às nossas cinco moedas diferentes em 10 anos, aos 80% de inflação em um único mês, 2,5% ao dia... A partir daí eu conto os bastidores da criação e implantação do Plano Real. Tínhamos um desequilíbrio muito grande na área política, um desencontro social, e entramos na Constituição de 88, quando saíamos do período ditatorial e a sociedade brasileira sonhava com a democracia e pensava que a democracia eliminaria todos os problemas do país. Essa constituição recebeu muitos pleitos e deu muitas benesses sem ter a fonte para parar. Consequentemente, os governos recorreram à inflação, que é uma forma de receita para honrar seus compromissos. Aí eu entro em todos os pontos em que foram frágeis e que desequilibrou a economia do país. Por fim, chegamos ao período em que fui convidado para ser o relator do plano da estabilização da economia. Com muito trabalho e reuniões, ouvindo a sociedade brasileira, conseguimos produzir um projeto de conversão com 53 emendas e colocamos na prática o nosso Real. Hoje podemos falar do seu período de 17 anos e as consequências que ele trouxe para o Brasil.

Ao decorrer do livro, o senhor faz várias comparações que mostram a situação da economia brasileira antes e após o Plano Real. Poderia citar as que considera mais importantes?
Neuto:
Alguns exemplos muito claros. Em 1994, nosso Produto Interno Bruto era de R$ 349,2 milhões, aproximadamente. E foi publicado nesta semana o PIB de 2011: fechamos 2011 com R$ 4,3 trilhões. Crescemos 1.200% em 16 anos. Eu podia dizer que nós pagamos toda a dívida externa e somos o quarto maior financiador do governo americano. Do nosso superávit comercial, de U$ de 356 bilhões de dólares, U$ 240 bilhões estão aplicados em letras do tesouro americano. Esses são dados de um devedor que passou a credor e isso nos dá a pujança de uma economia sólida e de uma sociedade esperançosa.

No livro, o senhor também se utiliza de vários recursos, como depoimentos de deputados, reportagens veiculadas na mídia. Poderia falar de alguns?
Neuto:
Há frases dos discursos dos parlamentares depreciando o plano e de economistas famosos que diziam que era mais um golpe político. Então nós os usamos, para mostrar o que pensavam e como essas pessoas e os meios de comunicação se comportavam numa proposta para solucionar o mais grave problema que o país teve em sua historia. Isso fez com que nós tivéssemos com que ilustrar a história, mas tudo é extraído dos anais do Congresso Nacional, para que tenha veracidade e confiança.

O que lhe motivou a escrever o livro?
Neuto:
Quando deputado federal, eu apresentei um projeto sobre ferrovias e o projeto acabou indo para o Fundo de Financiamento da Bacia do Rio do Prata (Funplata). Em um determinado momento, fui convidado para uma palestra para universitários do Paraguai, do Uruguai, da Argentina e do Brasil. Foi em Possadas, na Argentina, e teve a participação de políticos. O meu tema era La Cuenca del Plata, ou seja, o desenvolvimento da Bacia do Prata e o seu futuro. Chegando lá, eles souberam que eu fui relator Medida Provisória que instituiu o Plano Real. Aí a palestra saiu do eixo proposto para tratar de economia. Quando terminei de falar, queriam saber onde se comprava o livro. E eu disse que não tinha livro. Então meus amigos perguntaram por que eu não escrevia um livro a respeito, para deixar esse momento registrado na história. E acabaram me convencendo de que eu tinha que fazer um livro.

E para quem o senhor considera “O Milagre Real” uma leitura indispensável?
Neuto: É um livro histórico para a área econômica e de Administração, para que as pessoas conheçam o quão maléfico é uma inflação. Inflação é um imposto que só os pobres pagam. Os ricos se protegem. Inflação corrói não só a economia, mas o tecido social. Ela é tão perversa que destrói todos os lugares em que se encontra.

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