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Revista da Fundação Carlos Chagas publica dossiê de Professor do Mestrado em Educação

Por: Alessandra de Barros
imprensa@unoesc.edu.br
09 de Abril de 2018

O professor doutor Mauricio João Farinon, do Mestrado em Educação da Unoesc, teve um dossiê com o tema “Alteridade e Educação” publicado na Revista Cadernos de Pesquisa da Fundação Carlos Chagas. O material foi idealizado pelo professor, a partir de estudos desenvolvidos na linha de Processos Educativos, no Mestrado em Educação da Unoesc, vinculado ao projeto de pesquisa “A abordagem das capacidades em sua articulação ético-formativa”. 

O material é composto por cinco textos  e foi escrito em parceria com professores brasileiros e estrangeiros, sendo os assuntos: “Ética, justiça e educação sob o enfoque da Alteridade” de autoria do professor Maurício João Farinon (Unoesc); “Alteridade e educação em Hannah Arendt”, de autoria dos professores Angelo Vitório Cenci e Edison Alencar Casagranda (Universidade de Passo Fundo - Brasil); “O fim das Humanidades: ensino e aprendizagem em épocas de Crise” escrito pelo professor Luís Antônio Umbelino (Universidade de Coimbra – Portugal); “Educação e Alteridade da Democracia” do professor Nick Stevenson (University of Nottingham, Nottingham, Reino Unido)e “Educação e alteridade em contexto de sociedade multicultural” escrito pelo professor Hans-Georg Flickinger (Universität Kassel, Alemanha).

—  O dossiê buscou pensar a educação, concebida enquanto formação, considerando as múltiplas realidades e relações que constituem o humano, considerando a alteridade como fundamento educacional, para além da pluralidade e diversidade, para que ocorra de forma humana e acolhedora — comentou o professor, sobre o objetivo geral do dossiê. 

No texto, “Educação e alteridade em contexto de sociedade multicultural” o professor Hans-Georg Flickinger põe em foco a perda da composição homogênea das populações nas sociedades contemporâneas, levando ao problema de estas se transformarem em conglomerados multiculturais, e, em sua relação com o social, a alteridade aponta para preocupação de como estabelecer uma relação interpessoal aberta, marcada pela presença do outro, a qual demanda o ouvir e o dialogar. A defesa é que na lógica da alteridade reside uma atitude hermenêutica.

Já no estudo “Educação e Alteridade da Democracia” Stevenson pensa questões sobre educação democrática e escolas básicas, defendendo que estas não podem ser consideradas somente locais de aprendizagem, mas locais onde a democracia pode ser praticada diretamente. Para Nick, uma democracia efetiva exigiria o desenvolvimento das capacidades imaginativas e criativas no ser humano e o desenvolvimento de uma sociedade mais ecológica. A democracia assumiria, então, não tanto o significado de voto, mas se constituiria como um modo de vida.

Tratando do tema “Alteridade e educação em Hannah Arendt”, os professores Angelo Cenci e Edison Casagranda indagam sobre o lugar do outro na educação, partindo do paradoxo entre o avanço da consciência em termos de alteridade e dignidade humana coexistindo com formas sofisticadas de sua negação ou aniquilação. Os autores apontam algumas condições para a alteridade, remetem ao “amor mundi e à responsabilidade vinculada a ele como condição educativa (formação) para o outro poder vir a ser efetivamente outro”.

No texto “O fim das Humanidades: ensino e aprendizagem em épocas de Crise” o professor Luís Antônio Umbelino expõe a problemática de que a utilidade e rentabilidade econômicas é uma narrativa que põe na vitalidade econômica a condição para vitalidade de um país estando essa “ligada à capacidade de ‘moldar’ o respectivo sistema de ensino às necessidades técnicas de um supermercado laboral global” vinculado ao saber fazer próprio da proficiência técnico-científica”. Essa narrativa, no contexto das Humanidades, é teoricamente frágil e politicamente insensata. Umbelino destaca que “pagaremos, sem dar conta, um preço cívico, democrático e cultural elevado sempre que se ensaie mitigar o espaço das Humanidades”.

Fechando o dossiê, o professor Maurício reflete sobre o problema de que a diversidade humana pode ser miniaturizada quando os indivíduos são considerados à luz de um único e absoluto critério que se quer abrangente. São destacados os sentidos e desafios para a educação e seus processos formativos, uma vez que a sala de aula e os diversos ambientes onde somos postos em experiências formativas se constituem como momentos e espaços privilegiados de encontro entre diferentes, no desafio de um mundo comum. O autor defende o princípio alteridade à luz dos critérios de justiça, os quais se opõem ao cálculo político e relações comerciais, à luz da incomparabilidade, identidade dinâmica e terceiro incluído, bem como à luz dos conceitos de proximidade e responsabilidade.

Diante disso, o professor ressalta a importância da reflexão acerca do tema e da elaboração do material que acabou sendo publicado.

— A formação precisa ser desenvolvida a partir de processos nos quais os seres humanos consigam entender a importância do outro para si e vice e versa. O grande desafio é pensar a educação como desenvolvimento ético e por isso, a necessidade de pôr o princípio alteridade no centro dos processos educativos —  encerrou o professor.

*com informações do Dossiê Alteridade e Educação. 

 

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