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Busca pelo conhecimento científico leva o nome da universidade para fora do país

Por: Dhébora Santiago
dhebora.santiago@unoesc.edu.br
01 de Dezembro de 2014

Professor doutor Rudy Nodari do Mestrado em Biociências e Saúde As pesquisas realizadas na Unoesc têm possibilitado a ida de docentes a diferentes países e universidades para apresentar os resultados de suas investigações. O professor doutor Rudy Nodari, do Mestrado em Biociências e Saúde e do curso de Educação Física, teve a oportunidade, durante o ano, de estar em oito países e 16 universidades diferentes. Nesta entrevista, concedida após a participação no 2º Congresso Euroamericano de Posturologia, Ciência do Movimento e Medicina de Reabilitação, realizada na Universidade Sapienza de Roma, na Itália, ele relata as oportunidades que surgiram a partir desse evento e as novidades dos últimos 13 anos de pesquisas em dermatoglifia, junto ao laboratório de Fisiologia do Exercício da Unoesc Joaçaba. Esse método científico estuda as impressões digitais enquanto marca genética e de desenvolvimento embrionário, também possibilita identificar as potencialidades de cada indivíduo para a orientação de habilidades esportivas, prática de exercícios e promoção da saúde.

 

 

O que aconteceu de diferente nesse congresso em Roma?

Nesse congresso aconteceram três fatos fantásticos. Primeiramente, a oportunidade que eu tive de dar uma palestra sobre dermatoglifia para um grande grupo de cientistas. O segundo foi a possibilidade, a convite da universidade promotora do evento, de assinar um documento que diz que de agora em diante a palavra dermatoglifia é de uso exclusivo desse cientista que vos fala. E o terceiro foi um pedido para ministrar uma aula para três grupos de mestrado juntos, da Universitá la Sapienza di Roma, instituição fundada no ano de 1303.


Outros professores da Unoesc te acompanharam nessa última viagem?

Sim. A professora de Educação Física Mirian Dolzan e a coordenadora do curso de Educação Física da Unoesc Joaçaba, professora Elisabeth Baretta, que recebeu diretamente do secretário geral da Rede Euroamericana de Motricidade Humana o convite para, fazer parte da Rede, no ano de 2015.


Algum resultado novo da pesquisa em dermatoglifia foi apresentado?

Outro resultado que tivemos foi a impressão digital como uma marca prognóstica, para auxiliar no processo de encaminhamento para a prevenção do câncer de mama. Nós descobrimos, em uma investigação realizada no laboratório de Fisiologia do Exercício, uma marca característica das mulheres que tem câncer de mama, quando comparado com mulheres que não tem câncer de mama e não tem histórico da doença na família.


Essa pesquisa utilizada em Joaçaba é facilmente adaptável em outros países?

O que a gente precisa fazer nesse momento, é observar se as etnias e raças manifestam-se de forma diferente na impressão digital, esse é um propósito de pesquisa agora. As universidades Sapienza e do Foro Itálico nos convidaram, durante os meses de maio e junho do ano que vem, para fazer uma pesquisa em Lazio e Veneto que são duas regiões muito fortes de imigração para o Sul do Brasil. Nós queremos colher impressões digitais de homens adultos lá e de homens adultos aqui e comparar se existem diferenças étnicas continentais. As marcas semelhantes poderão servir como ferramentas da predição de algum tipo de doença nos dois continentes.


Esse estudo em Roma pode ser considerado uma nova parceria?

É uma parceria, nós somos conveniados com a Rede Euroamericana de Motricidade Humana e a ideia agora é que essas parcerias se firmem de forma bilateral. O Foro Itálico está conveniado à Rede e a Unoesc também, mas não existe um convênio direto entre essas universidades, o que nós queremos fazer é fechar essas parcerias diretamente. Para a nossa satisfação total, essas universidades de peso, de grande nome, é que estão solicitando para fazer convênio com a gente.


Qual a importância dessas viagens no processo de internacionalização da Unoesc?

Essas viagens possibilitam que a Unoesc seja vista em vários lugares do mundo. A Itália agora conhece a Unoesc. Espanha, Portugal, México, Chile e outros países reconhecem a nossa instituição. O papel da internacionalização é levar os nossos acadêmicos e professores a outras realidades e trazer os de fora para conhecer a nossa. E tudo isso gera qualificação na formação acadêmica e atende a principal missão da instituição que é atender o desenvolvimento regional. Esse processo, por exemplo, qualifica o ensino da escola básica, do ensino fundamental e traz benefícios para vida do nosso cidadão.


Qual a importância do estímulo a pesquisa?

A pesquisa nos abre caminhos, nos prepara para oportunidades e nos leva para muito longe. É um lugar onde todo curioso é bem-vindo. Eu adoro quando um estudante chega no professor e diz, eu tenho uma dúvida, porque a partir disso já pode começar uma pesquisa. Você precisa ter perguntas na cabeça. Às vezes, uma dúvida é tão deliciosa que você consegue transformar isso em um projeto de pesquisa e esse estudante vira um bolsista de iniciação científica da Unoesc. Tudo isso entra no processo de desencadeamento onde os nossos estudantes acabam virando nossos professores, nossos mestres e nossos palestrantes. É extraordinário saber que o futuro de Joaçaba, de Santa Catarina, passou pelos bancos escolares da Unoesc. Eu sempre gosto de dizer que “o mundo é o quintal da casa dos corajosos”, para fazer ciência é preciso ter coragem, porque isso gera autonomia. E quem tem coragem e tem autonomia, age. É importante que o cientista aja, interfira, intervenha para que a pesquisa qualifique a vida daqueles que nos cercam.

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